Arquitectura


ARQUITETURA TAURINA EM PORTUGAL

Marina Alexandra Rodrigues Neves
Arquiteta

Nos muitos edifícios com programa associado à tauromaquia que podemos encontrar em Portugal podemos incluir diversos espaços, como tentaderos ou praças de touros temporárias, mas sem dúvida que as Praças de Touros fixas são o expoente máximo. É aqui que a arquitetura enquanto espaço que é projetado ganha maior destaque.

Segundo Susanne K. Langer (Patetta, Luciano, Storia dell’archittetura. Antologia Critica, 1997, p. 44-45) a arquitetura é imagem da cultura do povo que a concebe: “O arquiteto cria a imagem, um ambiente humano presente fisicamente que expressa os característicos esquemas funcionais rítmicos que constituem uma cultura ... Contudo as grandes ideias arquitetónicas quase nunca derivaram, se é que o fizeram alguma vez, das necessidades domésticas. Desenvolvem-se como templo, túmulo, fortaleza, palácio, teatro.” Esta ideia enfatiza a importância dos equipamentos coletivos públicos, entre os quais se inclui a Praça de Touros, como parte integrante do universo sociológico de um povo e de uma cultura, no caso, de Portugal.


As festas de cariz taurino começaram por decorrer no exterior das localidades ou no centro das mesmas, nas Praças Centrais (como as que ficaram célebres na Praça do Comércio no Século XVI e como ainda hoje acontece no concelho de Sabugal, em barrancos e em muitos outros locais, e depois em terreiros cercados, até que, com o advento da Festa na forma de espetáculo, a partir de meados do Século XIX, começaram a construir-se edifícios próprios para o efeito. Começaram a ser edificados em madeira, mas com o desenvolvimento dos materiais e técnicas de construção tornaram-se mais sólidos.

As praças de touros começaram por localizar-se próximo dos campos de ganadarias, mas rapidamente se estenderam por todo o país e hoje predominam na região Centro, no Ribatejo e no Alentejo. A sua implantação ocorre maioritariamente na periferia das localidades, apesar de hoje em alguns locais ocuparem zonas mais centrais devido ao desenvolvimento urbano.

Das 213 praças de touros fixas que se conseguiu apurar já terem existido em Portugal, neste momento existem aproximadamente 92, e a tendência é sobretudo conservá-las e não demoli-las. No momento estão a decorrer obras de requalificação na Praça de Almeirim, existe projeto para a Praça de Setúbal e estão concluídas as obras em Paio Pires. Nos vários locais nos quais já se demoliram, se pensa demolir ou foram transformadas em algo totalmente diferente (Cascais, Vila Real de Santo António, Espinho e Viana do Castelo), as corridas de touros continuam a realizar-se com recurso a praças de touros desmontáveis. Este facto vem corroborar a ideia de que a desafetação aos fins taurinos talvez tenha sido um erro, pois os espetáculos continuam a ter procura, e as praças fixas tinham vantagens em relação às desmontáveis: não é necessário erigi-las anualmente, são mais seguras, têm lugares marcados, e podem ter outros usos.


Cada praça de touros é única e com características próprias. Contudo, de modo a uma mais fácil compreensão da arquitetura das praças de Touros em Portugal, estas podem ser agrupadas por tipologias: a Tradicional, a Restaurada e Intervencionada (numa visão de reabilitação) e a Nova Multi-usos (construída de raiz como espaço preparado para múltiplas utilizações). Para exemplificar cada tipologia aqui apresentada nomeiam-se algumas praças representativas das mesmas, e o critério adotado para a sua escolha poderia ter sido outro, mas o selecionado foi ter um arquiteto como projetista.


Formalmente a maioria das Praças de touros em Portugal podem encaixar-se na tipologia Tradicional, da qual se destacam os projetos de Idanha-a-Velha, Montijo, Nazaré, Santarém e Vila Franca de Xira, independentemente do ano de construção. É um edifício voltado para si próprio e no qual o interior é o mais importante. Tem uma planta centralizada, organiza-se em torno de um espaço circular com um anfiteatro, e sob este distribuem-se quase sempre espaços de apoio e serviço.

A sala de espetáculos que é o seu espaço principal, tem no centro um pavimento circular coberto de areia, chamado arena, onde decorrem os espetáculos taurinos. Junto à arena, e sendo-lhe paralelo, existe vulgarmente um corredor destinado à permanência de artistas, bombeiros, comunicação social, e outras pessoas que prestam auxílio e apoio no decurso dos espetáculos.

Este corredor, assim como a sua “parede” divisória de madeira, é denominado trincheira ou trincheiras. Todas as trincheiras têm um pequeno degrau na “parede” divisória, para facilitar o salto dos artistas para ou a partir da arena. Nestas trincheiras existem pequenos esconderijos, que têm a finalidade de permitir a escapatória aos artistas. Na generalidade dos casos em que tal é possível por não estarem fixados à barreira, os esconderijos são retirados quando o toureio é a cavalo. Nas Praças mais simples não existe trincheira, mas apenas estes taipais. Quando se realizam espetáculos taurinos com matadores de touros, artistas que atuam a pé, são colocados na arena burladeros semelhantes, que fazem a ligação às trincheiras para servirem de refugio mais fácil aos artistas e permitirem uma lide mais eficaz. A entrada destes espaços de apoio é lateral e à mesma cota, mas com uma largura mínima para que touros não a consigam atravessar.

À volta das trincheiras ou da arena, a uma cota superior, começam a desenvolver-se em patamares ascendentes como um anfiteatro, as chamadas bancadas, para acomodar o público sentado. As bancadas são divididas por muros ou gradeamentos (que seguem eixos radiais do centro da arena) em sectores, a que correspondem entradas distintas. Estes sectores dizem respeito à orientação solar a que estão expostos. Uma vez que os espetáculos diurnos ocorrem a meio da tarde, os sectores que estão em sombra nessa altura são os do lado poente, e os que estão ao sol os do lado nascente, os sectores do lado norte e sul são apelidados de sombra-sol. Cada sector tem um número, assim como cada fila de bancadas, para se poder enunciar cada lugar. Os sectores começam a ser enumerados a partir do lado poente, e o sector 1 corresponde frequentemente a esse lado. Por ser o sector de sombra é o sector mais procurado. Habitualmente é nele a entrada principal, e é também aí que se instala o delegado da IGAC (Inspeção Geral das Atividades Culturais), chamado também de diretor de corrida ou “Inteligente”. No lado oposto deve situar-se a porta de entrada dos artistas (pátio de quadrilhas) e dos cavalos, o que condiciona que seja lá que se posicionem as cavalariças. No lado norte, à direita da porta dos cavalos, situa-se a entrada para o compartimento em que os touros aguardam até serem lidados. Este compartimento chama-se curros e é subdividido em cabinas individuais para cada touro de lide, por um corredor largo de distribuição e uma sala maior para albergar o conjunto de cabrestos.

Existem Praças cujo anfiteatro se divide em níveis de visão e proximidade para a arena diferenciados, e após muros ou gradeamentos de separação, sucedem às bancadas novos espaços cobertos, chamados camarotes e galerias. Estes espaços podem continuar paralelos às bancadas ou sobre elas num piso superior. Os camarotes situam-se no sector 1 e são pequenos compartimentos numa só cota, destinados à colocação de cadeiras para três a dez pessoas aproximadamente. Em algumas Praças o camarote do meio destina-se ao Presidente da Câmara ou alguém com um cargo superior no protocolo do Estado (camarote presidencial) e por isso tem um tratamento e decoração especial. As galerias são espaços que seguem a disposição em patamares das bancadas, com as particularidades de serem em menor número e com cobertura.

Os serviços de apoio distribuem-se sob as bancadas ou em corpos adjacentes ao volume principal do edifício. Estes espaços são as já referidas cavalariças e curros, mas também, bilheteiras, uma capela, uma enfermaria e instalações sanitárias, para além de possíveis bares e arrecadações.

Vulgarmente, nas cidades e localidades mais importantes, a Praça de Touros é exteriormente circular (Lisboa e Santarém por exemplo) ou poligonal de lados iguais (por exemplo: Nazaré e Setúbal são octogonais ou Beja e Évora são hexadecagonais). Contudo, nas localidades mais pequenas os limites exteriores em planta são frequentemente irregulares (por exemplo Arronches e Vila Nova da Barquinha), condicionados pela morfologia do terreno, ou até pelo edificado e vias de comunicação envolventes. Nos edifícios mais pequenos o volume principal apresenta uma imagem de volume geométrico puro sem qualquer tratamento. Para além disso, são por vezes os corpos dos curros, acessos e outros serviços que se destacam e recebem um tratamento diferente.

Apesar de por vezes surgirem elementos de estilos revivalistas, como o neoárabe por exemplo, a verdade é que os alçados são na maioria das vezes muito geométricos, reflexo da estrutura interna do edifício, com marcações verticais e horizontais dos pilares e vigas.

Os alçados destes edifícios são marcados pelas portas de entrada dos sectores, que habitualmente são distribuídas homogeneamente criando uma marcação de ritmos. Para além destes elementos, em algumas Praças existe iluminação para o corredor que liga as várias entradas e distribui os espaços de serviço. Pode dizer-se que o plano da fachada tem relação direta com a compartimentação interior, as portas que são os acessos ao interior da sala de espetáculos têm grande dimensão para ganharem importância, e as janelas, que só servem para iluminar espaços de circulação, são menores e destacam-se menos.

Estes edifícios têm a singularidade do conforto não ser uma necessidade prioritária. Porém, curiosamente, isso não é entrave para a concretização dos eventos. Aqui também se desenrolam espetáculos de cariz não tauromáquico, contudo têm de ser adaptados às situações arquitetónicas que existem, e condicionados obviamente pelas condições climatéricas (tal como, de resto, os espetáculos tauromáquicos).

A IGAC é a entidade que licencia os espetáculos nas praças de touros e faz anualmente vistorias aos edifícios para assegurar que existem condições de funcionamento e segurança. Por este facto as Praças de Touros têm sido ultimamente alvo de bastantes intervenções e obras de conservação. Fez-se a remarcação dos lugares, para criar mais espaço para cada espetador, assim como se faz o alargamento dos acessos, se criam lugares para utentes com mobilidade condicionada, instalações sanitárias adequadas e se facilita a acessibilidade. Para além disso instalam-se sistemas de iluminação das saídas de emergência e criam-se melhores condições nas enfermarias.



As praças de touros em Portugal, enquanto equipamento de lazer, só recentemente começaram a evoluir e a seguir certas necessidades do presente, e é aqui que surgem paralelamente as tipologias “Restaurada e Intervencionada” e a “Novas Multi-usos”. A tipologia tradicional vai servir de base a ambas, que englobam a maioria das suas características.

Em relação à área de espetáculos, desde cedo que as praças são adaptadas para receber espetáculos não tauromáquicos, contudo só agora isso começou a ser um item de projeto. Para uma utilização multi-usos, são previstas zonas técnicas, áreas para a colocação de palco e projeção de vídeo, e até formas de substituir a arena por um pavimento diferente. As inovações não param aí, e vão até ao encerramento total do edifício com cobertura. Esta cobertura traz várias vantagens: protege o edifício da degradação causada pelas intempéries, permite a realização de espetáculo em qualquer altura do ano independentemente do estado climatérico do tempo, e além disso evita o incómodo vento que atinge por vezes as bancadas e a arena. A nível de conforto os lugares deixam de ser marcados por linhas de tinta, sendo colocadas cadeiras.

Conceptualmente existe a tentativa de criar um local com vida, que pode ser utilizado diariamente independentemente dos espetáculos que possa acolher. Assim, deixou de ser um espaço autónomo do resto da cidade e é agora um espaço que dialoga com a envolvente, com a introdução de novas funções que se viram para o espaço adjacente e que têm um funcionamento independente do resto do edifício. É o caso de espaços comerciais, de bares e de restaurantes.

A designação “Praça de Touros restaurada e intervencionada” pode ser associada à Praça de Touros do Campo Pequeno e ao Coliseu de Redondo. Estas duas praças sofreram obras de reabilitação e de restauro, em 2006 e em 2009 respetivamente, para por um lado permitir novas funcionalidades, e por outro parar a degradação das estruturas existentes. Relativamente à perspetiva global de intervenção, pode afirmar-se que o objetivo geral é aumentar o conforto, mas sem alterar completamente a imagem existente. O projeto para o Campo Pequeno esteve a cargo do Arquiteto José Bruschy, e o projeto de Redondo a cargo da Arquiteta Maria Teresa Pacheco Carvalho Leite.

A imagem exterior de ambas as praças foi cuidada de modo a preservar a existente, mesmo com a introdução de novos elementos como a cobertura. Mas foi a imagem do espaço interior que sofreu mais alterações. O objetivo é que este espaço habitualmente utilizado somente para a realização de espetáculos tauromáquicos ganhe novas valências, podendo adaptar-se para espetáculos de dança, música, teatro e desporto, entre outros. Para isso é possível desmontar as paredes de madeira que circundam a arena, colocar um novo pavimento sobre a areia e, no caso de ser necessário, existe ainda a possibilidade de aumentar o numero de lugares sentados com a ocupação da área da arena. Os espaços privados também sofreram alterações com a reformulação de compartimentos para criar novas utilizações. Para além de enfermaria e capela, surgem novos espaços de apoio aos espetáculos como bares, balneários, camarins, régie e áreas técnicas. Para o conforto do público foram colocadas cadeiras em ambas as Praças em substituição das marcações de lugares no pavimento. Foram ainda criados lugares destinados a pessoas com mobilidade reduzida e melhorados os acessos.



As Praças de Touros recentemente construídas (Novas Multi-usos) são dotadas de maior conforto e maior flexibilidade de utilização do que as do passado, e aqui destacam-se o Coliseu de Elvas e a Arena de Évora. O Coliseu de Elvas foi inaugurado em 2007 e o seu projeto é do arquiteto Luís Quaresma Ferreira. A Arena de Évora foi inaugurada em 2007 e o seu projeto é do arquiteto Carlos Guedes Amorim. Em ambas as localidades já existiam Praças de Touros. Contudo, a procura de melhores condições e maior rentabilidade dos equipamentos fez com que se demolissem as existentes e se construíssem edifícios novos. No caso de Évora, a Praça não foi totalmente demolida. Havia a pretensão inicial de ser uma remodelação, mas o facto é que a única coisa que se manteve foi a forma planimétrica das paredes exteriores.

Estes dois edifícios caracterizam-se por serem compostos por um volume maior destinado à sala de espetáculos, ao qual se adossam ou intercetam volumes menores. Estes volumes menores marcam as entradas dos edifícios, e são onde se situam os acessos verticais. Diferenciam-se nos alçados por terem um revestimento diferente. Em Elvas estes volumes têm tirantes em aço metalizado, enquanto em Évora são grelhas metálicas que marcam estes corpos, os quais seguem as direções principais presentes no volume principal. Para além dos acessos, existe um outro compartimento que ganha destaque no exterior de ambas as praças – os curros. Contudo, no caso de Évora, este bloco ganha tanta dimensão que aparenta ser a entrada principal, quando na verdade o seu programa é só de curros e restaurante.

Começa a questionar-se o programa, o funcionamento e a organização dos espaços, e isso é notório em várias opções adotadas. Uma dessas opções é realmente o novo tratamento dos alçados, nos quais os relevos geométricos que acentuam a horizontalidade ou a verticalidade são substituídos por alçados mais dinâmicos, com a acentuação dos acessos que ganham volume, a utilização de novos materiais e a variação da cor. Por outro lado, são alçados mais interativos, uma vez que o próprio edifício ganhou novas funções.

A Arena de Évora tem um restaurante e seis espaços comerciais, e o Coliseu de Elvas tem quatro bares, o que faz com que estes edifícios deixem de se virar somente para dentro e se abram também para o espaço exterior interagindo com ele. São espaços que permitem uma utilização regular e não somente esporádica, como a sala de espetáculos. Por outro lado, tiram partido do espaço exterior, que deixa de ser apenas local de passagem e circulação para a entrada na sala de espetáculos, e passa a ser uma extensão de um edifício que afinal não está isolado de tudo o que o rodeia.

Também o interior foi questionado a nível de conforto e de programa. Os lugares marcados por tinta existentes nas bancadas foram substituídos por cadeiras. Por outro lado, foi acrescentada uma cobertura à área de espetáculos que é amovível sobre a arena. A nível de programa, o interior mantém as disposições das praças tradicionais, com a arena circular ao centro, dividida da zona das bancadas através de um corredor. As bancadas desenvolvem-se em patamares, debaixo dos quais se distribuem áreas de serviço. Contudo, a sala de espetáculos ganha novas valências que permitem a realização de espetáculos não taurinos: musicais, ópera, teatro, dança e desporto. Por isso, as paredes de madeira que dividem a arena do corredor de apoio (a trincheira) são desmontáveis. É possível tirar a areia da arena (que tem 30 cm de altura e debaixo da qual está outro pavimento) ou colocar-lhe um pavimento novo por cima. No mesmo sentido existem nestas duas praças zonas para a colocação de palco (sobre os curros na Arena de Évora) e para a projeção de vídeo (sobre as cavalariças no Coliseu de Elvas). Estes equipamentos são assim algo mais do que simples Praças de touros, um pouco híbridos, mas que começam a questionar a arquitetura anterior.



Enquanto edifício singular e fascinante, no qual não se pôde ignorar a festa brava como programa predominante no edifício, a Praça de Touros não pode ser encarada como um edifício morto, sem utilização ou sem inovações, pois a história e o património são importantes, mas é também importante que façam parte do presente. Atualmente, é difícil conjeturar qual é o futuro das Praça de Touros, mas pode afirmar-se que após anos de estagnação, evoluíram finalmente para acompanhar as necessidades atuais. O Coliseu de Elvas é um exemplo, pois está a ter uma frequência de utilização bastante elevada e com um grande número de espetáculos, e devido às boas condições que apresenta, a praça começa a ser vista como um ícone para a cidade. Esta constatação leva a crer que investir nestes equipamentos é uma forma de promoção da localidade, porque atrai muitas pessoas. Na realidade estes equipamentos são cada vez mais procurados, e com as suas muitas valias podem voltar a transformar-se num centro de cultura nas cidades. Até mesmo as praças não intervencionadas recentemente podem ganhar uma nova imagem e vida, pois com poucos meios é possível serem adaptadas para conseguirem algum conforto.




Do ponto de vista da arquitetura a maior especificidade encontra-se em estruturas criadas no âmbito das tauromaquias populares, como os tabuados de Barrancos e das aldeias da capeia arraiana ou as tranqueiras das esperas de toiros, ou principalmente das tauromaquias institucionais. Falamos neste caso das praças de toiros, que obedecem a uma lógica arquitetónica própria e comum a todas elas. Algumas praças, como a do Campo Pequeno, constituem monumentos de grande beleza e interesse patrimonial. Elas são, muitas vezes, a face mais visível da Festa Brava.


TAURÓDROMOS


Praças de Touros


Uma praça de touros é «formalmente um equipamento aparentemente muito homogéneo, em relação aos seus componentes principais: a arena é circular, tem bancada em toda a volta e engloba uma grande variedade de serviços e espaços auxiliares ao seu funcionamento.»[1]


Vd. também: Praças de Toiros


Composição arquitectónica das Praças de Touros
  • Arena
  • Trincheira
  • Barreira
  • Teia
  • Burladero
  • Camarote
  • Galeria
  • Curro
  • Pátio de Quadrilhas
  • Pátio/Porta dos Cavalos
  • Tribuna
  • Bancadas
  • Cavalariça
  • Enfermaria
  • Capela
  • Bilheteiras


Tentadeiros/Tentaderos


«No caso dos tentadeiros, estes são espaços fechados, construídos em alvenaria de pedra ou de tijolo rebocada e pintada. Estão inseridos em propriedades agrícolas pertencentes a privados ou a sociedades e são de uso particular. Possuem esconderijos, curros e uma porta principal que dá acesso para o exterior do recinto. No caso de possuir bancadas, estas são destinadas a convidados ou para uma observação num plano mais elevado. Os tentadeiros têm como principal função a selecção genética das reses de gado Bravo de Lide, em função do apuramento de determinadas características. Concomitantemente, os tentadeiros servem de suporte ao aperfeiçoamento técnico e artístico dos profissionais tauromáquicos. Na realidade, estes tauródromos encontram-se no limiar do que se poderia considerar como de índole popular ou de natureza profissional. Uma vez que reúnem características de ambas as manifestações tauromáquicas.» [2]



Redondéis


Segundo Pedro Januário podem ser considerados redondéis os que assegurarem as seguintes condições:

«1. Sempre que o recinto não disponha de uma barreira ou vedação que o envolva na totalidade;
2. Sempre que a altura dessa mesma barreira (muro mais vedação) tenha uma altura inferior a três metros;
3. Sempre que seja formado por uma estrutura amovível, periodicamente armada dentro de uma malha urbana pré-existente (castelo, largo, praça);
4. Sempre que o recinto fixo, não possua curros;

5. Sempre que o recinto não possua lugares em bancadas, ou que os mesmos não estejam identificados.»[3]



Praças Desmontáveis ou Amovíveis


Praças pré-fabricadas em aço ou em madeira.



Outras Tipologias de Praças (casos específicos)


  • Praça de Touros de Barrancos

A praça de Barrancos é composta por traves e tranchas de madeira (tabuados) nas quais assentam bancadas que cercam o largo da Igreja, aproveitando as fachadas envolventes, sendo a mesma desmontável no final dos festejos taurinos.


  • Praça de Touros de Monsaraz

Esta praça é feita de pedra e corresponde à arena da antiga praça de armas do Castelo de Monsaraz, onde existem bancadas e burladeros.


  • Praças de algumas Capeias Arraianas (Sabugal)

Algumas capeias, tradicionalmente, realizam-se no largo principal de cada povoação, «temporariamente vedado para esse efeito, assim constituindo o côrro», ou seja, um círculo «actualmente delimitado por estruturas adquiridas em cada povoação para o efeito, ou ainda utilizando atrelados de tractores e, sempre que possível, utilizando as próprias paredes das casas e currais anexos». De uma forma mais rara, são utilizados, nos dias de hoje, carros de vacas ou bois com lenha, os quais há algumas décadas eram «o meio fundamental de construção de barreiras contra o touro e de suporte dos espectadores da Capeia. Em anexo ao côrro improvisa-se um ou dois currais em que são encerrados os animais». [4]


Nota: Fotografias tiradas pela equipa do projeto nas Capeias da Lageosa da Raia (2015) e Aldeia Velha (2019).


  • Estruturas presentes em algumas Tauromaquias Populares

Nas localidades/locais onde são realizadas esperas e/ou largadas de toiros são delimitadas algumas zonas (ruas) por barreiras ou, mais concretamente, por tranqueiras ou tronqueiras - estruturas de madeira – que asseguram a protecção da população que permanece atrás das mesmas.


Nota: Fotografias tiradas pela equipa do projeto por ocasião da Feira da Azambuja (2018 e 2019).



Referências/Notas