Crítica Taurina


CRÍTICOS TAURINOS

Luís Capucha
Sociólogo / Professor Universitário

Dotada da sua típica linguagem tão pitoresca como viva, que aliás se revela logo nos epítetos que alguns ostentam, os críticos taurinos desempenham um papel importantíssimo na Festa. A família dos toiros não dispensa estes profissionais da escrita e da rádio. São eles que dão as notícias do dia-a-dia da Festa de Toiros, incluindo o que fazem os artistas, os ganadeiros e os empresários fora da praça, mantendo os profissionais e os aficionados informados de tudo o que se passa. Eles são, assim, os agentes determinantes dos “mentideiros”, nome que se usa para designar as notícias verdadeiras e as outras nem tanto que circulam em grande profusão nos meios taurinos.

São também eles que se ocupam das crónicas das corridas. Os aficionados seguem com avidez os críticos que consideram mais entendidos (conhecedores dos detalhes artísticos e técnicos das lides, faenas e pegas) de forma a aferir as suas próprias perceções e a aprender com a opinião destes especialistas. Os profissionais preocupam-se particularmente com estas crónicas que proclamam os triunfadores e aqueles que estiveram menos bem (o pior para um profissional ou um forcado é que dele se diga que esteve “por baixo do toiro”). Elas vão marcando a sua imagem e, assim, aumentando ou diminuindo o interesse do público em seguir as suas atuações ou os seus toiros. Este papel é tão importante que no passado as grandes figuras do toureio pagavam aos críticos para que lhes “fizessem as temporadas”, isto é, omitissem eventuais desaires e realçassem os triunfos. Isso deixou de ser prática comum. As críticas taurinas estendem-se frequentemente das corridas de toiros para a divulgação e amplificação das tertúlias e colóquios que os aficionados organizados nas suas estruturas organizam no defeso.

Através de entrevistas com os toureiros e forcados consagrados, com os mais novos que aspiram a uma posição de relevo, com aficionados, diretores de corrida, ganadeiros, etc. os críticos taurinos desempenham uma outra função, a de mediadores entre esses agentes e o grande público, dando a conhecer os seus feitos, opiniões, estilos artísticos, curiosidades da vida privada, entre outros motivos de interesse.

Alguns dos entrevistados, mais eloquentes e auto-reflexivos, ajudam os críticos na função de produzir teoria taurina, isto é, de construir interpretações generalizáveis sobre os toiros e as suas características, sobre a técnica do toureio e a sua evolução, sobre a arte e a emoção, sobre a história da festa e a sua evolução. Esta função é muito importante na formação dos aficionados e, no caso dos mais sabedores, dos próprios profissionais. As teorias taurológicas estão em boa parte plasmadas em livros de especialidade taurina, a par de biografias de toureiros, grupos de forcados e ganadarias, levantamentos históricos de certos aspetos da Festa (por exemplo, levantamentos de quem foram os profissionais destas ou daquela categoria como os matadores de toiros, os cavaleiros e os grupos de forcados) ou compilações de críticas publicadas nos jornais.

No passado a televisão transmitia programas de toiros conduzidos por alguns dos críticos mais prestigiados. As estações de rádio nacionais também possuíam programas do mesmo tipo. Em ambos os casos, a estrutura desses programas incluía uma elaborada seleção musical de passodobles, flamenco e, por vezes, também fado; notícias e crómicas; entrevistas e efemérides. Quando apareceram as rádios locais, as que funcionaram e funcionam em regiões aficionadas incluíram e incluem invariavelmente programas taurinos, em geral um pouco mais extensos do que os das rádios nacionais. Pela sua quantidade, os críticos que “levam” esses programas são em muito maior número em relação aos que ocupam os meios nacionais, embora alguns destes tenham acumulado. Os programas de toiros na televisão e nas rádios nacionais desapareceram, não por falta de audiências, mas por preconceito e arbitrariedade dos proprietários e diretores. Ficou a rede das rádios locais que os aficionados ouvem semana após semana.

No caso da imprensa escrita passou-se algo semelhante. Até cerca dos anos 90 do século passado os principais órgãos de comunicação escrita nacionais tinham rúbricas taurinas muito conceituadas. Isso verificava-se em praticamente todos os jornais e algumas revistas. Os jornais regionais também tinham as suas páginas de toiros. Hoje essas permanecem, sendo das mais procuradas pelos leitores. Por outro lado, desde sempre existem órgãos de imprensa taurina especializada, sendo os jornais tendencialmente semanais, e as revistas mensais. De entre estas destaca-se pela sua longevidade o “Novo Burladero”.

Nos nossos dias as potencialidades geradas pelas tecnologias de informação e comunicação têm sido aproveitadas por dezenas de jovens (e um ou outro menos jovem) críticos taurinos para criarem as suas páginas taurinas seguidas por centenas de milhares de aficionados.

Entre os críticos do passado são figuras de referência Cristóvão Moreira “Solilóquio”, Dom Bernardo da Costa “Mesquitela”, Don Pepe, Eduardo Leonardo, Fernando Teixeira, Leopoldo Nunes, Jayme Duarte de Almeida, João Aranha, João Mascarenhas, José António Lázaro, José Picão Tello, Nizza da Silva, Patrício Álvares Chaubet”, Pepe Luís, Rogério Perez “El Terrible Perez”, Saraiva Lima e Vasco de Barros Queiroz. Alves Redol e Álvaro Guerra são dois escritores que também escreveram críticas, livros e outro tipo de textos taurinos de grande qualidade e reveladores de profundo conhecimento (o primeiro era, de resto, primo do matador de toiros José Júlio e o segundo, filho do grande empresário taurino e apoderado José Guerra, foi em jovem toureiro amador. Muitos outros escritores dedicaram algumas letras ao tema, embora sem a mesma consistência. Nos nossos dias podem-se assinalar os críticos, uns mais ativos do que outros, Catarina Bexiga, Domingos Xavier, Francisco Morgado, Ludgero Mendes, Luís Miguel Pombeiro, Joaquim Tapada, João Queiroz, José Cáceres, Maurício do Vale, Vasco Lucas, Victor Escudero, entre outros. O ganadeiro Joaquim Grave escreveu também vários livros ensaiando teoria taurina, além de ser comentador de toiros na televisão.



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