Empresário


EMPRESÁRIOS

Luís Capucha
Sociólogo / Professor Universitário

Os empresários são os responsáveis por pôr em relação todos os intervenientes e participantes numa corrida de toiros. A ele compete “montar o espetáculo” e oferecê-lo ao público. Neste sentido ele é quem faz a mediação entre todos, e muito em especial entre o público, os profissionais do toureio e forcados e o toiro. Para isso investe na expectativa de obter o lucro resultante da sua atividade.

Ao empresário taurino pede-se que tenha visão estratégica e capacidade para calcular bem todos os riscos associados ao negócio, como em qualquer área de negócios. Mas neste caso também se pede um conhecimento aprofundado da tauromaquia, da sua história e do seu estado em cada momento em todas as vertentes, desde as ganadarias até aos profissionais no ativo. Pede-se também muita afición porque este é um setor das atividades culturais que exige muita paixão e fina sensibilidade para ajustar e acomodar nos espetáculos que organiza os interesses de todas as partes que envolve.

Em geral os empresários, em Portugal como no mundo, não são os donos das Praças de Toiros (a exceção a esta regra é Albufeira). Ganham o direito a “montar” corridas de toiros mediante a vitória em concursos que os proprietários organizam para a exploração das praças de toiros. Geralmente ganha esse direito quem apresentar a proposta economicamente mais vantajosa para o proprietário, embora por vezes este também considere fatores como a confiança pessoal e a qualidade dos planos para as temporadas a que respeita o concurso. Em certos casos os proprietários entregam a exploração sem concurso em função dos mesmos critérios. Num mundo em que tudo se sabe e tudo se comenta, e sendo muitos dos proprietários entidades com responsabilidades públicas, é de realçar que não se conhecem casos de corrupção nos processos de declaração dos vencedores dos concursos, o que não significa que não se levantem suspeições por parte dos vencidos, que, porém, retomam a candidatura a cada ano.

O empresário tem de conhecer muito bem cada uma das praças de que se torna arrendatário. Como os empresários circulam entre praças, têm na verdade de conhecer a “afición” de todas e cada uma das praças. Geralmente os aficionados de cada localidade gostam de ver nos cartéis os toureiros dela nativos ou nascidos na região. Quando há grupos de forcados, o grupo ou grupos da terra têm de, invariavelmente, constar do cartel, sozinhos ou acompanhados. Depois há que conhecer muito bem a idiossincrasia taurina de cada localidade. Há praças em que a afición presta particular atenção ao toiro, e gosta de ver curros duros e bravos, bem apresentados e exigentes quanto à sua lide. Outras preferem toureiros que atuem com alegria e arabescos artísticos, por vezes paralelas em relação à lide (isto é, realizadas em praça, mas “fora do toiro”) contrapondo-se às que valorizam essencialmente a entrega, o valor e o domínio da técnica nas abordagens ao animal. Há ainda praças que, por qualquer razão para além do local de nascimento, se ligam a um toureiro por qualquer razão, geralmente ligada a atuações passadas, querendo vê-lo sempre incluído no cartel. Curiosamente, mesmo aquela parte do público que vai a diversas praças durante a temporada, acaba quase sempre por se comportar de acordo com a representação mais ou menos mitológica das características da afición de cada praça de toiros. Deve ainda atender a detalhes como a data em que se realiza a corrida de toiros que vai organizar, já que numa mesma praça que dê corridas em mais do que um momento da temporada, os critérios de apreciação do público podem variar. Há datas/locais que são marcos na temporada taurina e por isso requerem um cuidado especial.

O empresário tem também de conhecer todos os ganadeiros e todos os intervenientes no ativo, desde os toureiros às empresas de transportes de toiros e dos médicos às bandas de música, para “cozer” cartéis que sejam apelativos para o público e pratiquem preços acessíveis em função da praça em que atuam, de modo a cobrar entradas que o público possa pagar. As praças com maior número de lugares disponíveis nas bancadas têm mais defesa do que as mais pequenas e, por isso, o domínio perfeito de todos os segredos do negócio contam. Muitas vezes os empresários praticam preços especiais para quem compra os bilhetes para toda a temporada (o chamado “abono”), para quem seja subscritor do “Cartão de Aficionado” (que atesta a frequência com que determinada pessoa vai aos toiros) e para certos segmentos do público, como os jovens ou as pessoas idosas.

Montado o cartel o empresário porá um empenho muito forte na sua divulgação, procurando criar uma imagem apelativa. O uso da arte e da imaginação na elaboração dos cartazes (de rua, de montra, de mão) e dos folhetos deu origem a um riquíssimo acervo documental, frequentemente exposto nas paredes das tertúlias de forma a perpetuar a memória de certas corridas ou de certos toureiros.

Por fim o empresário deve assegurar que, no dia da corrida, todos os intervenientes estão presentes e todas as condições – higienização dos lavabos, limpeza das bancadas, bares, curros e cavalariças, enfermarias – estão reunidas. Os empresários têm de se registar na IGAC e inscrever-se na Associação Nacional de Empresários Taurinos, embora muitos desempenhem outras funções, em acumulação, como o apoderamento de toureiros, a representação de ganadarias e até a criação e comercialização de toiros de lide.

A memória dos aficionados regista o impulso dado à Festa Brava por grandes empresários do passado, como José Guerra (também apoderado de matadores de toiros e pai de Álvaro Guerra), Manuel dos Santos (também matador de toiros), Salvação Barreto (durante décadas cabo do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa), Alfredo Ovelha (também apoderado de toureiros), Fernando Camacho (Idem), Mário Freire (que foi bandarilheiro), Rogério Amaro ou António Cardoso “Néné” (que foram forcados antes de se tornarem empresários). Hoje em dia destacam-se os nomes de Rui Bento Vasques (matador de toiros retirado), Ricardo Levesinho, Rafael Vilhais ou Paulo Pessoa de Carvalho (antigo forcado).



Neste momento (2020) estão no ativo os seguintes empresários tauromáquicos:


António Alfacinha

José Luís Gomes

João Pedro Bolota

Luís Miguel Pombeiro

Paulo Pessoa de Carvalho

Paulo Vacas de Carvalho

Rafael Vinhais

Ricardo Levesinho

Rui Bento Vasques

Simão Comenda

Vasco Durão


Antigos empresários tauromáquicos:


Alfredo Ovelha

Álvaro Salvação Barreto

Américo Pena

António Manuel Cardoso "Néné"

Fernando Camacho

Fernando dos Santos

João Borges

José Guerra

Manuel dos Santos

Manuel Gonçalves

Mário Freire

Rogério Amaro


Empresas tauromáquicas:


Aplaudir

Associação Nossa Praça

Associação Praça Maior

De Caras Tauromaquia

Montemor é Praça Cheia

NEPE – Nova Empresa da Praça de Évora

Ovações e Palmas

Paulo Pessoa de Carvalho Produções (PPC Produções)

Tauroleve

Toiros e Tauromaquia

Verdadeira Festa