Farda de Forcado


A FARDA DO MOÇO DE FORCADO, ELEMENTO DE IDENTIDADE CULTURAL

Teresa Ferreira Soares
Mestre em Estudos Portugueses – Culturas Regionais Portuguesas

"Salta para a arena o forcado garboso, envergando a sua jaqueta… E perante o silêncio expectante da multidão, joga a sua vida e o nome da sua terra."


Os grupos de forcados, aqueles que realizam as “pegas de toiros”, são exclusivos da Tauromaquia Portuguesa. Este elemento das “corridas de toiros” não existe em outros países que têm tradições tauromáquicas, e apenas é praticada, de forma pontual, no México e na Califórnia, para onde foi levada por alguns forcados portugueses. Este é, portanto, um fenómeno genuíno, só nosso, e será, nesse sentido, uma manifestação da nossa identidade cultural, se considerarmos que “a festa dos toiros é um elemento identitário forte (…) fornece uma referência estruturante da memória coletiva e de sentimentos de pertença a uma tradição distinta, num contexto de uniformização de padrões culturais e, por isso, de procura da distinção.”

Os grupos de forcados são, assim, um fenómeno exclusivo da cultura portuguesa. E consideramo-lo um fenómeno de cultura, uma vez que é uma prática que implica um “modo de um povo pensar e agir ou, ainda, é uma racionalidade (um sistema de razões, subjetivas) que se manifesta em obras, comportamentos e abstenções objetiváveis”. Luís Capucha refere também a Tauromaquia como um elemento identitário da cultura portuguesa dizendo que há “uma referência genérica a Portugal como país de touradas, passando pela reivindicação de aficion por parte de regiões inteiras e de localidades disseminadas por todo o país”.


Sem nos perdermos em explicações históricas para este fenómeno, diremos que as “pegas de toiros” assentam em ritos ancestrais de culto ao touro, bem como em manifestações de caráter cinegético e em atividades do mundo agrícola que exigiam o manuseamento do gado bravo pelos Mancornadores e, posteriormente, pelos homens da Casa da Guarda, nas primeiras corridas organizadas do século XV, cujas técnicas e formas de atuação foram sendo recriadas ao longo dos tempos. Hoje, os grupos de forcados, embora de forma inconsciente, revivem esses ritos e essas técnicas, já não com um sentido religioso, já não como uma função braçal das lides agrícolas, mas como demonstração de bravura e de coragem. A propósito da atualização e adaptação dos rituais, Augusto Santos Silva afirma que as “Culturas populares como “artes de ser e fazer”, “maneiras de pensar sentir e agir”, “carris de conduta”, enraizados numa longa duração, constantemente atualizados e recriados pelos grupos, em territórios, e formadores das respetivas identidades”. Ora, a atualização e recriação dessas formas de fazer por um dado grupo, num dado território, contribui para a formação da identidade cultural desse grupo. Por consequência, o grupo de forcados será também ele uma forma de manifestação da identidade cultural. Repare-se que o grupo de forcados é designado pelo nome da sua terra, por um topónimo. Muitas vezes ouvimos que o grupo de forcados é um embaixador da sua terra e contribui para distinguir o “nós” de os “outros”. É no grupo que se espelha a comunidade que o sustenta. É ele o veículo de valores que os seus membros defendem e reivindicam para si como indivíduos e como coletivo. Ele é ainda a bandeira da sua terra. E símbolo da comunidade da qual fazem parte é a jaqueta que os grupos envergam, peça-chave da farda do forcado, como veremos adiante.


As Peças da Farda

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A farda dos moços de forcado é comum a todos os grupos, nas diversas peças que a constituem, com exceção da jaqueta que, como vimos, é o elemento que identifica cada um dos grupos e os distingue entre si.


• A Jaqueta

A jaqueta é uma casaca curta usada por cima da camisa branca. Esta é a peça da farda que identifica e distingue cada um dos grupos de forcados, pela diferença de padrão entre elas, como a libré usada pelos elementos da Casa da Guarda, nos séculos XV e XVI, que era, já nos seus primórdios, motivo de distinção pelas suas cores, como acontece ainda hoje. Ao longo da história de um grupo, o padrão da sua jaqueta pode ser alterado, mas nunca deixa de ser a sua marca.

A jaqueta é, portanto, o símbolo de cada grupo e também símbolo do moço de forcado, denominado muitas vezes como “homem da jaqueta”. Ela é a peça mais importante da farda, é pertença do grupo, e é entregue ao forcado pelo cabo, a quem deve ser devolvida quando o forcado deixa a arte de pegar touros.

Em geral, na atualidade, os padrões usados nas jaquetas apresentam flores ou ramagens, daí a denominação de jaqueta de ramagens, e o tecido é, em geral, de lã bordada. Sendo uma casaca curta, ela deve cobrir o moço até ao meio das costas, terminando as abas da frente em bico, ligeiramente mais compridas que atrás; aberta na frente, assertoada e com três botões de pé, redondos, de metal. Tem um pequeno bolso embutido de cada lado, situado ao nível do botão superior, bem como um bolso interior do lado esquerdo que serve, muitas vezes, para colocar imagens ou peças religiosas, como adiante veremos. As mangas são pegadas ao corpo da jaqueta pela ombreira, deixando aberta a zona interna do braço, para facilitar os movimentos. Cada uma das mangas tem nas extremidades (no canhão) três botões iguais aos da frente da jaqueta, mas de menor tamanho.


• O Barrete

Não menos importante é o barrete, peça de grande estima, inseparável do forcado, e insubstituível. O barrete está sempre presente, desde o início da fardação, até ao despir da farda.

O barrete verde é, também ele, um símbolo de identidade da cultura portuguesa. Ele é utilizado pelos campinos e pelos moços de forcado. Luís Badosa descreve este barrete como sendo “verde como alimento natural de los campos donde transcurre su vida y rojo como alimento espiritual que ilumina su mente”.

Este barrete verde, fabricado em tear circular, é feito em pura lã no exterior e com um forro em algodão. Na extremidade tem uma borla, e uma orla vermelha na abertura. O barrete do forcado distingue-se do barrete do campino apenas pela forma como é colocado: o campino coloca-o com a ponta para trás e o forcado coloca-o com a ponta para o lado.

Deve ser usado no ombro esquerdo, sobre a jaqueta, no decorrer das cortesias. De resto, anda dobrado na mão do forcado. Durante cada pega, o forcado da cara coloca-o na cabeça no início do cite, e os restantes moços deixam o seu barrete sobre o muro da barreira. Ressalve-se o caso dos Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, cujos elementos usam todos o barrete na cabeça durante a pega.

O barrete, em regra, não é lavado, e é uma peça pessoal que tem grande valor sentimental e funciona, para grande parte dos forcados, como um relicário, onde se guardam as imagens e medalhas dos santos protetores de cada um.

É importante referir, ainda, o facto de muitos forcados colocarem o barrete no chão no momento em que se fardam. A primeira peça de vestuário a sair do saco é o barrete, que é colocado no chão, ou junto do moço, ou debaixo dos seus pés já nus. Este gesto não tem explicação aparente entre os forcados que, quando questionados da razão de se fardarem sobre o seu barrete, apenas respondem que o fazem porque os mais antigos já o faziam. Ora, é curioso que a origem do uso do calçado pelo Homem tem um fundo sobretudo mágico, na medida em que era um meio de proteção para os “males” que vinham da terra. Marcel Mauss afirma, a propósito, que “As origens do calçado parecem ser, sobretudo, mágicas (evita pôr o pé em contacto direto com o solo e as emanações que dele se libertam)”. Será para proteção das más vibrações do solo? É claro que não obtivemos uma resposta exata para esta questão, mas cremos que este ato possa assentar numa crença mágica, se bem que inconsciente. Se não, por que razão se faria desde sempre? O barrete ganha maior importância para o forcado da cara. Ele é o que guarda todas as memórias, todas as pegas realizadas, simboliza tudo o que aquele homem fez enquanto forcado. Troca-se de jaqueta porque ficou apertada, troca-se de camisa ou calções porque estão rasgados… mas nunca se troca de barrete. Um barrete desgastado, com muito sangue, é a prova viva de um forcado experiente, com muitos touros pegados. “É como um passaporte onde se carimba cada viagem feita. Assim é o barrete”.

Depois de abandonada a vida de forcado, o barrete é guardado como relíquia e símbolo dos touros pegados, dos bons e dos maus momentos ao longo dos anos, transmitindo-se, muitas vezes, de pais para filhos forcados.


• A Cinta

Igualmente importante é a cinta vermelha, peça que serve principalmente para proteção do forcado contra o cornúpeto, desde a zona do diafragma até à zona abdominal, inclusive. Segundo João Aranha, nas suas anotações e léxico taurino, a cinta vermelha, “além de animar o traje, constitui como que uma primeira proteção na hora da reunião com o testuz do toiro”.

Esta cinta pode ser de flanela fina (já em desuso, por isso mais usada pelos forcados mais antigos), ou em tecido sarjado, 100% acrílico, sendo variável a sua largura e o seu comprimento. A largura pode variar entre os 20 e os 30 centímetros, medida algumas vezes designada por “um palmo”; o comprimento pode variar entre os 3,80 metros e os 7 metros, sendo a medida mais comum os 5 metros. As extremidades são debruadas em cada ponta com uma barra em franja do mesmo tom.

A cor vermelha desta peça parece-nos relevante. O vermelho é considerado o símbolo fundamental do princípio da vida; ele é a cor do sagrado e do secreto, e contém em si uma dimensão mágica. José Leite de Vasconcellos afirma que “o encarnado goza de virtudes mágicas em vários povos, e já desde a antiguidade”. Já nas tradições irlandesas, o vermelho é a cor guerreira, o lugar da batalha.

É curioso verificar que a parte do corpo do forcado que é envolvida pela cinta é precisamente aquela com que ele “trava a batalha” com o touro. O vermelho é a cor que sugere coragem, esforço, excitação. É ainda a cor vermelha que “traz em si intimamente ligadas as duas mais profundas pulsões humanas: ação e paixão”, dois substantivos que caracterizam precisamente o ser forcado: a ação de enfrentar os touros e a grande paixão que se vive por eles. O uso desta faixa que envolve o forcado, dando várias voltas à sua cintura, simbolizará todo o corpo cingido à cor vermelha, transmitindo-lhe, portanto, todas as potencialidades desta cor.

Consideremos ainda o facto de esta cinta se manchar frequentemente com o sangue do touro, no decorrer da pega. Apesar de manchada, ela não é lavada por uma grande parte dos forcados e, de forma consciente ou não, encerra uma dimensão mágico-religiosa. A verdade é que, em termos simbólicos, o sangue tem um sentido mágico; ele é vermelho, e é, como a cor vermelha, o princípio da vida, e também da imortalidade; ele é benéfico e fértil. Ele é considerado universalmente o veículo da vida, ele é a vida.

Concluímos desta breve reflexão simbólica que a presença do sangue na cinta e a sua preservação por superstição faz renascer os ritos ancestrais, e os iniciados, os forcados, assimilam as virtudes do toiro, fonte de vida, de fertilidade, de bravura, de valentia e de abundância.


• Os Calções

Da farda fazem parte também os calções, de lã riscada, atualmente de cor castanha. Assinalemos uma vez mais o grupo de Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, que usa calção verde.

Esta peça é de cós alto, e o seu comprimento de perna deve terminar por baixo do joelho, com um debrum de atilhos de fita de algodão ou nastro vermelho, que fazem um laço do lado exterior da perna. Precisamente por cima desses atilhos, cada perneira apresenta uma abertura que facilita a passagem da perna quando o forcado se veste, e é fechada por três botões de metal, iguais aos das mangas da jaqueta. A carcela situa-se na frente dos calções, no cós, e é fechada por 16 botões sob o tecido, como as comuns calças de homem. Os calções são fixos por tradicionais suspensórios elásticos com cabedal nas extremidades, vermelhos ou beges.


• As Meias

As meias são de tricôt, brancas, de algodão sem brilho, feitas com cinco agulhas, à volta e sem costura, iniciando-se pela abertura e terminando na ponta do pé. Do joelho para cima são em malha de meia, assim como o pé. Do Joelho ao tornozelo são em malha mais ou menos trabalhada ao gosto de cada um.

São fixas junto à coxa por meio de ligas elásticas colocadas na bainha que serve de remate à meia.

Por serem dispendiosas e por não haver gente que as faça, estas meias estão cada vez mais em desuso, e são substituídas pelas meias feitas à máquina. As suas características mantêm-se, com exceção de que apresentam uma costura na parte de trás da perna.


• Os Sapatos

Os sapatos são de carneira, de couro de bovino, em cor natural, com pala recortada, salto de prateleira e atacadores amarelos.


• A Camisa

Por baixo da jaqueta, usa-se uma camisa branca comum, com o pormenor de fechar as mangas com atilhos de fita de algodão ou nastro vermelhos. Em geral, a cor branca significa pureza, virtude. Já em relação ao sexo, Luís Badosa apresenta o branco como a cor masculina, “por su poder de penetración y su vinculación solar”, em oposição ao negro, feminino pela sua relação com a Terra e a Lua. Mais um aspeto que nos aponta para os ritos de fertilidade da terra.


• A Gravata

Faz parte da farda também uma gravata vermelha estreita que, no caso de o forcado estar em momento de luto por um familiar ou amigo, é substituída pela gravata preta. Da mesma forma, o grupo pode vestir de luto envergando, todos os seus elementos, gravata e faixa pretas em sinal de luto por um forcado ou alguma individualidade de grande estima para o grupo.


Concluímos que as cores utilizadas nas peças da farda do forcado têm em si uma carga simbólica de grande relevância. A propósito da simbologia das cores da farda dos forcados, Luís Badosa diz que não se pode pegar um touro sem o ritual que o acontecimento exige, e o ritual não é só um costume, mas um conjunto de regras de entre as quais a cor tem uma relevância fundamental. Considera este autor que, além da técnica que o forcado possui, o seu espírito é estimulado pela potência cromática das suas vestes, transmitindo-lhe coragem.

Terminamos com uma citação do mesmo autor que, em nosso entender, encerra a essência da farda do “moço de forcado” que acabámos de descrever: “ellos, (os forcados) como hombres de campo que ostentan el privilegio de enfrentarse aI mítico animal para, agarrándole en su feroz embestida, inmovilizarlo unos segundos sobre la arena, saben muy bien que su acción no sería la misma si no ostentasen, en sus trajes, unos colores vinculados a su tierra, a la campina de donde provienen, a los sentimientos más íntimos y a la simbología en la que muy posiblemente jamás habrán pensado, pero saben que existe”.


O Ritual da Fardação

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Cerca de duas horas antes da corrida, todos os elementos do grupo se reúnem, em geral em casa de alguém amigo do grupo que tenha residência perto da praça onde vai apresentar-se, ou num local destinado para o efeito, como um hotel, um quartel dos bombeiros, entre outros. O local da fardação deve ser próximo da praça de touros, não só pela comodidade, mas especialmente pelo respeito que todos sentem pela sua farda, a qual só deve ser usada dentro da praça, ou nas suas imediações, já que as vestes que envergam não são folclore, mas motivo de muito respeito. Esta imagem que cada um tem da sua farda lembra algo “sagrado”, como os paramentos de um sacerdote…

Na presença de todos os forcados, já que todos os elementos ativos são convidados para a corrida e, portanto, para a fardação, o cabo inicia uma pequena preleção e o seu discurso contempla considerações sobre a corrida e os touros que irão enfrentar, as atitudes e comportamentos a ter, a referência a boas pegas realizadas anteriormente pelo grupo. A escolha dos que se fardam para aquela corrida começa a ser delineada no pensamento do cabo do grupo um ou dois dias antes do acontecimento. Esta escolha depende de vários fatores; o número de touros a pegar; a presença nos últimos treinos e as condições físicas do momento são determinantes. No próprio dia, o cabo fará pequenos acertos relativamente às opções previamente ponderadas, tendo em conta os forcados aí presentes e as características por ele observadas nos touros durante o sorteio que foi feito anteriormente na praça de touros.

Depois, todos os elementos ficam a conhecer a lista dos moços que se fardarão e os eleitos dirigem-se ao espaço onde devem fardar-se. Fundamental para estes rapazes é a sua imagem; estes devem cuidar zelosamente o seu aspeto externo. Mariate Cobaleda defende que o torero deve revelar uma aparência delicada e clássica. O seu rosto deve estar limpo e o cabelo cuidado, sem descompor a figura. Nestas palavras sobre a postura e imagem do torero, podemos perceber a forma como o moço de forcado deve apresentar-se. A sua postura em praça e perante o touro deve ser caracterizada, portanto, pela verticalidade. Há algum tempo, quando alguns rapazes perguntavam ao chamusquense Joaquim Lázaro, figura do toureio a pé, o que era necessário para ser toureiro, este respondia: “andar direito e bem vestido”.

O primeiro ato deste rito é colocar o barrete no chão; uns colocam-no debaixo dos seus pés enquanto se fardam, e é sobre ele que vestem as restantes peças da farda; outros apenas o deixam no chão ao seu lado, tendo o cuidado de beijar as imagens que estão colocadas no seu interior.

A ordem por que são vestidas as várias peças da farda não varia muito de forcado para forcado. Geralmente começam pelas meias, seguindo-se os calções, os sapatos, a camisa e suspensórios, e finalmente a gravata. Alguns moços começam pela camisa, seguindo, depois, a ordem indicada.

A cinta é colocada no final, com a ajuda de outra pessoa, para que fique bem apertada e colocada no devido sítio. O local onde se efetua esta operação deve ser espaçoso, na medida em que a faixa tem de ser esticada, e é o forcado que se cinge nela, rodando sobre si próprio, até chegar ao fim da cinta, cuja ponta é fixada entre a camisa e a cinta já apertada. A última peça a vestir é a jaqueta.

Depois de vestidos e calçados, o barrete é apanhado do chão e dobrado, mantendo-se na mão até ao momento das cortesias.

Muitas vezes ouvimos que, em praça, o grupo de forcados é um embaixador da sua terra. A jaqueta que envergam é, como vimos, o símbolo da comunidade da qual fazem parte. E é neste ponto que o individualismo se esbate e dá lugar à defesa do coletivo. Concluímos, portanto, que o grupo de forcados contribui, de forma inequívoca, para a construção da honra coletiva e para a defesa da identidade cultural sempre que…

"Salta para a arena o forcado garboso, envergando a sua jaqueta… E perante o silêncio expectante da multidão, joga a sua vida e o nome da sua terra."



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