O Cavalo de Toureio


O ENSINO DO CAVALO DE TOUREIO

Emídio Pinto
Cavaleiro tauromáquico

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Os cavalos de toureio começam a ser trabalhados a partir dos 3 anos de idade.

Numa primeira fase, a que se chama “desbaste”, o cavaleiro começa por pôr no cavalo uma “embocadura” (bridão) e a habituá-lo a andar com a sela até ele estar calmo e aceitar os arreios. Nesta fase é importante o trabalho à guia nos 3 andamentos (passo, trote e galope) em que, com a ajuda do chicote, o cavalo vai andando em círculos largos e curtos até estar bem descontraído nos 3 andamentos. Segue-se a fase de aceitação do peso do cavaleiro e do montar e desmontar com o cavalo calmo. Tudo isto feito com muita paciência e serenidade para que o cavalo compreenda o que o cavaleiro lhe pede.

Depois do cavalo andar bem a passe, trote e galope e perceber que as pernas do cavaleiro lhe indicam para se deslocar para a frente e as rédeas o dirigem para onde o cavaleiro quer que ele se desloque, seja em círculos, oitos ou simplesmente a direito, passa-se à fase seguinte do ensino.

Com o decorrer do tempo o cavaleiro vai-lhe pedindo encurvações, paragens, mudanças de direção, tentando que o cavalo se mantenha sempre calmo, descontraído e a andar bem para a frente.

É essencial que o cavalo se mantenha equilibrado nos 3 andamentos. O cavaleiro vai pedindo ao cavalo espáduas a dentro, rotações de garupa, rotações de espáduas, cedências à perna, ladeares e mudanças de andamento, como por exemplo passar do passo para o trote, do passo para o galope e inversamente do galope para o trote e do galope para o passo.

Todos estes exercícios visam não só melhorar a capacidade atlética do cavalo mas também permitir que o cavaleiro tenha o controlo absoluto quer das espáduas, quer da garupa, do dorso e do pescoço do cavalo, o que lhe permite obedecer ao seu cavaleiro duma forma descontraída e sem pôr resistências.

No trabalho do galope, o cavalo é iniciado no galope ao revés, nas passagens de mão, nas voltas sobre as pernas, nos círculos mais ou menos curtos, etc., o que permite ter um cavalo equilibrado de modo a conseguir fazer mudanças rápidas de andamento, voltas rápidas e deslocações laterais mais ou menos pronunciadas sem se desequilibrar, pois o desequilíbrio faz com que o cavalo se enerve, não consiga fazer os exercícios e dificulta o domínio que o cavaleiro necessita de ter sobre ele.

Quando se atinge um bom grau de equilíbrio e o cavaleiro sente que o seu cavalo está apto a passar para uma nova fase, começa a aprendizagem para o toureio.

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Aqui o cavalo vai ter contacto com o boi manso e a tourinha e o cavaleiro vai tentando aperceber-se das aptidões tauromáquicas do seu cavalo.

Começa por circular à roda do boi manso, que não lhe faz qualquer mal, permite-lhe aprender a desenhar as sortes, ao mesmo tempo lhe que incute o desejo de ultrapassar um obstáculo. Na tourinha (empurrada por um homem) o cavalo aprende a ultrapassar um obstáculo em andamento, mantendo a calma e a aperceber-se quando deve desviar-se, acelerar o andamento ou reduzi-lo.

Nesta fase é muito importante todo o trabalho feito anteriormente, pois tendo o cavaleiro domínio sobre o cavalo, é muito mais fácil corrigi-lo e o animal, tendo confiança no seu cavaleiro, aprende com muito mais facilidade.

As reações dos cavalos ao boi manso e à tourinha são diferentes e variam muito de cavalo para cavalo. Uns ao princípio mostram medo, outros desconfiança, outros curiosidade, outros agressividade. Uns querem vencer o obstáculo de uma forma descontraída, outros apresentam mais resistência.

Cabe ao cavaleiro, com calma e paciência, aperceber-se dessas reações e aproveitá-las tirando partido das características quer físicas quer morais do cavalo.

Na tourinha e no boi manso o cavalo aprende a executar as várias sortes do toureio – à meia volta, à tira, a sesgo, de frente, ao piton contrário, a cambio, etc.

Aprende que deve ir a galope e abrir o quarteio fazendo uma deslocação lateral em espádua a dentro quando se aproxima do boi manso ou da tourinha. Com a tourinha em andamento aprende a controlar e mandar na investida.

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Nesta fase um cavalo que saiba bem o que fazer e obedeça ao seu cavaleiro com calma e vontade de colaborar, está apto a ser experimentado com vacas bravas, iniciando assim outra fase nova de aprendizagem para o toureio.

Se o cavalo durante o treino com as vacas vai progredindo e mostra capacidades para poder vir a ser um futuro cavalo de toureio e a ganhar a experiência necessária para poder fazer face às dificuldades apresentadas, estará apto a poder entrar numa praça de touros.

Para finalizar:

Todo o trabalho, desde o princípio e passando pelas várias etapas descritas, deve ter por base a confiança cavalo-cavaleiro, o que se traduz numa cumplicidade entre os dois. Cumplicidade essa que é a base para os triunfos e satisfações que este nobre animal nos é capaz de dar.



REGISTOS VIDEOGRÁFICOS


https://arquivos.rtp.pt/conteudos/arte-de-marialva/

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https://archive.org/details/entrancar-os-cavalos-parte-1

https://archive.org/details/entrancar-os-cavalos-parte-2

https://archive.org/details/aquecimento-dos-cavalos