Pessoal de praça


O PESSOAL DE PRAÇA

Manuel Aranha Condeço
Funcionário da Praça de Toiros da Chamusca

Pessoal dos Curros - Chamusca F1.JPG

Apresentação


A equipa da Praça de Toiros da Chamusca é composta por 12 pessoas que, apesar da grande diferença de idades do mais velho para o mais novo, cerca de 40 anos, nutrem uma amizade especial uns pelos outros: José João Faustino (o líder), Manuel João Faustino, António João Ponceano, Manuel João Sequeira, António Ferreira, João Inácio, António Teodósio, Rui Oliveira, Jorge Nalha Condeço, Carlos Eduardo Condeço, Rodolfo Condeço e Manuel Aranha Condeço.


O início


O líder José João Faustino sabe à partida a hora de chegada das reses que sairão àquela centenária arena e convoca a presença de todos uma hora antes da sua chegada para tudo estar preparado para receber os animais. Antes e após esse processo, antecedendo a chegada das reses, do ganadero, do diretor de corrida e do veterinário chegarem também, surgem alguns momentos de descontração, onde se contam histórias passadas e se fazem certas brincadeiras que comprovam a tal amizade, sempre, naturalmente, com o respeito que a idade impõe.


Antes da corrida


Quando todos estão a postos, cada um coloca-se na sua porta habitual e iça-a. Depois, e só após ordem do líder, dá-se início ao desembarque dos toiros na praça. Os toiros vão passando sob o olhar atento de todos, conduzido à voz, e as portas levantadas vão-se fechando até à balança onde o animal é pesado pela mão de Manuel João Faustino. Daí sai diretamente para o pátio do reconhecimento, onde, como o nome indica, o diretor de corrida e o veterinário aprovam ou não a rês. Por fim, o toiro é encaminhado para o curro que lhe será destinado até à embolação. Este processo repete-se igualmente por todos os animais. No caso desta praça, os sobreros são os primeiros a ser descarregados, visto terem currais especial para eles, à parte dos restantes.

Seguidamente, dá-se o processo da embolação seguindo ainda um método antigo que poderá mudar no ano de 2020 ou 2021. Enquanto uns erguem as suas portas outros ajudam a conduzir o toiro até à manga da embolação onde os emboladores esperam a rês. Em cima, Rui Oliveira e António Ferreira controlam as movimentações da corda, imprescindível para esta tarefa. Os toiros são embolados e recolocados em curros ordenadamente (segundo as instruções do diretor de corrida) até saírem à arena.


Durante a corrida


• A saída do toiro

Durante a corrida o grupo separa-se. António Teodósio é o responsável pela porta dos artistas, enquanto João Inácio e Manuel João Sequeira se responsabilizam pela porta das cavalariças. Jorge Nalha Condeço e Rui Oliveira ficam encarregues da porta dos currais.

Após o toque do cornetim para a entrada do cavaleiro, Rodolfo Condeço mostra a toda a praça a informação acerca do toiro que vai sair. Em seguida, antes do toque do cornetim para a saída do primeiro toiro, Carlos Eduardo Condeço dirige-se à porta de onde sairá o toiro e, ao ouvir o toque e a ordem de José João Faustino, levanta-a o mais célere possível, saindo o toiro de imediato à praça. Entretanto, já António Ferreira aguarda a ordem do líder na porta do pátio do reconhecimento onde o jogo de cabrestos está separado. Essa porta está ligada ao maior largo dos currais que é dividido ao meio por uma dupla porta que é içada, normalmente, por Manuel João Faustino e António João Ponceano. Assim, os cabrestos são colocados mesmo a saída dos currais à espera de entrar em ação no fim da lide. Este processo repete-se em todos os toiros a lidar e pegar.


• O regresso do toiro

Após a lide e a pega, o toiro volta aos currais e já António Ferreira está na porta do pátio do reconhecimento para garantir que apenas os cabrestos passam para esse local. Mal o toiro passa para a segunda metade do largo, a dupla porta é fechada e as portas que dão acesso ao enjaulador abertas, e separa-se o toiro dos cabrestos (uma tarefa bem mais delicada do que parece). Estando o toiro sozinho na tal metade do largo, António Ponceano e António Ferreira abrem as portas que dão acesso ao enjaulador, enquanto Carlos Eduardo Condeço e Rodolfo Condeço tentam encaminhar para lá o toiro lidado sob supervisão atenta de José João Faustino. A porta do enjaulador, a primeira à chegada e última à saída, já fora erguida por Manuel Aranha Condeço que assim que o toiro passa fecha a porta e põe termo à relação entre o toiro e a praça.

Este processo repete-se naturalmente em todos os toiros lidados e pode ser mais complicado e stressante do que parece, porque muitas vezes o animal teima em não andar e não é fácil conduzi-lo até ao fim do percurso. Como os currais da praça não são de grande dimensão, por vezes é necessário que o toiro que sairá de seguida dê várias voltas de curro em curro até sair à castiça praça ribatejana, para não se cruzar, naturalmente, com o já lidado. Ao intervalo, Carlos Eduardo Condeço passa a arena com um trator agrícola e, se a corrida for mista, toda a equipa, em conjunto, coloca os burladeros na arena.


O final


Após os toiros lidados, são carregados os sobreros e está finalizado o nosso trabalho. Não se pode considerar exatamente um trabalho. Este serviço é feito num ambiente muito especial com bons amigos num meio que todos adoram: os TOIROS.