Vaca das Cordas (Ponte de Lima)

A vaca das cordas é um toiro de raça brava, escolhido pela imponência e equilíbrio das formas (“trapio”). Na véspera do dia de Corpo de Deus, o animal sai de um curral situado perto de um dos termos da Vila, preso por três cordas controladas por grande número de homens. É encaminhado até à velha Igreja Matriz, onde é amarrado às grades de uma das janelas do frontispício. Aí é regado com vinho tinto (ritual frequente desde a antiguidade, quando os toiros revestiram a forma de divindades várias) (Conrad, 1959) e uma das cordas é cortada.

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Depois o toiro é solto das grades das janelas e, conduzido com as duas cordas restantes, dá três voltas em redor da Igreja, após o que é dirigido para o fontanário central da localidade e para o areal do rio Lima, correrias desordenadas, tropeções e várias colhidas dos mais distraídos. Desde o início ao fim, quando o toiro é devolvido ao curral donde partiu – não há muito tempo era morto e servido como bodo festivo aos pobres – sempre conduzido à corda. Em poucos lugares no mundo se pode ver tanta gente em volta de um toiro nas ruas, na ponte, a outra margem e nos areais de Ponte de Lima.
A “Vaca das Cordas” realiza-se véspera do dia do Corpo de Deus, corresponde à parte profana das festas e tem associada uma mitologia própria. Segundo a versão oficial, difundida na comunicação social local e nos folhetos de divulgação, esta Festa teria começado há muitos séculos como uma obrigação da confraria dos padeiros, consistente em oferecer a vaca ao povo, em pagamento por uma vitória cristã contra uma vaca pagã que os mouros teriam introduzido na Igreja Matriz. Mas é voz corrente, entre as pessoas, que quem se tinha barricado no templo cristão tinha sido um grupo de guerreiros mouros, não se tendo encontrado outra solução para os expulsar se não introduzir uma vaca brava na Igreja. Símbolo demoníaco, segundo uma versão, ou heroína redentora, na outra mais popular, a verdade é que a vaca virou Toiro, cresceu, e todos os anos leva a Ponte de Lima uma impressionante multidão de aficionados e curiosos desejosos de se divertir com o frenesim que apenas o medo provocado por um toiro pode gerar.



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BIBLIOGRAFIA CITADA

  • Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LMEC - CRIA (Ed.), Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias, Lisboa.
  • Conrad, Jack Randolph (1959). The horn and the sword. The History of the bull as symbol of power and fertility. London: Macgibbon & Kee.