Traje de Matador de Toiros


TRAJES DE TOUREIRO (PARTE II)

Ludgero Mendes
Antropólogo

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Matador de Toiros – Traje de Luces


Se é certo que o toureio a cavalo perdurou mais tempo entre a aristocracia portuguesa, de que resultou também o seu aprofundamento técnico e o seu aperfeiçoamento estético e artístico, e mais tarde se democratizou, passando a ser praticado tanto por nobres como por plebeus, em Espanha, por força de muitas vicissitudes sociais e políticas, a que a situação de confronto entre reinos e mesmo a guerra civil não foram estranhos, a evolução do toureio ocorreu de forma mais expressiva a nível do toureio a pé, protagonizado por pessoas das classes populares.

Enquanto o cavaleiro tauromáquico ou o rejoneador espanhol necessitavam de manter diversos cavalos para o toureio equestre, aos matadores de toiros – anteriormente designados, apenas, por “toreadores” e depois por “toreros” – bastava-lhes apenas um capote e uma muleta, tantas vezes confeccionados artesanalmente, ou adaptados de algumas peças de pano, nomeadamente capotes de agasalho ou mantas, e a espada com que cumpriam a sorte suprema. Nos meados do século XVIII os matadores de toiros envergavam indumentária que lhes era cedida pelas respectivas praças onde actuavam, a qual mais se assemelhava a uma vestimenta de lutador ou de lanceiro, o que permitirá compreender como então o toureio era encarado como uma luta entre o Homem e o Toiro. Longe estava ainda o tempo em que Juan Belmonte valorizaria a componente estética e artística deste confronto, que não deixando de ser, de facto, um desafio de elevado risco, passou a caracterizar-se, essencialmente, pela sublimação da técnica, da arte e da inteligência do Toureiro sobre a violência e a força do Toiro.

São bastas as referências históricas a este tipo de indumentária e a alusão aos principais tauródromos que as forneciam para uso nos espectáculos que aí tinham lugar. Porém, nas localidades menos populosas, onde na maioria dos casos nem havia praças de toiros e este tipo de espectáculos ocorria em espaços improvisados, os toureiros apresentavam-se conforme podiam, embora tentando usar uma vestimenta tão parecida quanto possível com a que envergavam nas principais praças.

Francisco Romero (1700-1763) e Joaquín Rodríguez “Costillares” (1743-1800) surgem representados em gravuras coevas com uma indumentária que poderá constituir os primórdios do actual “traje de luces”, embora muito mais sóbrio, como se compreenderá, embora seja Francisco Montes “Paquiro” (1804-1851) a quem é atribuída a principal adopção do primitivo “traje de luces”. “Paquiro” tinha apenas cinco anos de idade em 1810, e vivia em Chiclana, quando esta localidade foi invadida pelas tropas francesas, tendo o menino ficado muito espantado pela ostentação dos uniformes dos oficiais franceses, cujos bordados e excepcional luzimento adoptou mais tarde para o traje de toureiro.

A sociedade espanhola, tal como a portuguesa, também era então muito influenciada pela moda francesa, o que gerou uma certa contestação entre os toureiros, que consideravam aquelas indumentárias muito efeminadas e, em alternativa, optaram por apresentar-se com um tipo de vestuário típico da cidade de Madrid em finais do século XVIII, ali conhecido como o “traje dos machos”. Esta era uma indumentária muito popular, por oposição às vestes aristocráticas, e era constituída pela maioria das peças que integram o actual “traje de luces”, à excepção do uso da montera, dos alamares e, naturalmente, dos bordados, tão abundantes nos fatos que chegaram aos nossos dias.

Também Goya, amplamente conhecido pela sua irreverência e até uma certa extravagância, se inspirou no “traje dos machos” e criou uma indumentária que viria a ficar para todo o sempre associada à tauromaquia rondeña, caracterizada por uma aparência supostamente barroca e luxuosa, com uma profusão de ornamentos, fitas, enfeites e até elementos metálicos, o que contrastava com a rigidez do rótulo aristocrático do refinado gosto francês.

Numa evolução do “traje dos machos”, esta indumentária, confeccionada em tecidos de seda, foi enriquecida com a aplicação de bordados a fio de ouro ou de prata, em vistosos desenhos geométricos ou inspirados em simbologias naturais, e com a aplicação de alamares constituídos por lantejoulas e vidrilhos, o que, mercê do reflexo devido à incidência da luz solar – “a las cinco en punto de la tarde” – deu origem ao nome de “traje de luces”.

De notar que os fatos bordados a ouro apenas podem ser vestidos por matadores, sendo que os bandarilheiros – toureiros subalternos que coadjuvam as lides dos matadores e dos novilheiros – apenas podem vestir fatos bordados a prata ou a azavache.

O Traje de Luces é actualmente composto pelas seguintes peças:


• Montera

Chapéu preto de astracã ou de veludo, forrado a tafetá, sem abas, e com a aplicação de dois machos laterais e desenho aplicado em passamanaria na copa. A montera foi introduzida na indumentária dos matadores de toiros em 1835, por “Paquiro”. É muito frequente cada toureiro aplicar no interior da montera a imagem do santo por que tenha maior devoção, a quem se invoca em circunstâncias de risco. É usada normalmente no paseíllo e nos dois primeiros tércios. Após a saudação à presidência da corrida ou o brinde, quando é efectuado, é atirada gentilmente para o destinatário do brinde, colocada na arena, se o brinde for feito ao público, ou confiada à guarda do moço de espadas.


• Chaquetilla

Espécie de jaqueta forrada interiormente por fortes entretelas, que lhe emprestam o ar de uma couraça – aspecto mais reforçado pelo uso de umas expressivas ombreiras, das quais pendem umas borlas, que são conhecidas por machos – caindo directamente até à cintura e bem justa ao tronco. Está revestida de cetim de cor, ornada com catorze alamares (caireles), motivos que se repetem em toda a orla inferior. É ainda profusamente bordada nas costas e possui duas pequenas algibeiras, também ornamentadas. As mangas são ricamente bordadas e ornamentadas, com motivos idênticos aos que são aplicados nas bandas da taleguilla.


• Chaleco

Um tipo de colete, igualmente bordado com motivos idênticos às restantes peças do traje.


• Camisa

Normalmente branca, apertada no colarinho, onde se aplica uma gravata – corbatín – ou, segundo a tradição mexicana, uma pañoleta, que era feita de grandes laços e de pontas caídas.


• Taleguilla

Calção confeccionado no mesmo tecido e na mesma cor da chaquetilla e do chaleco, com motivos artísticos idênticos aplicados no exterior do calção, designado por banda, muito justo às pernas e aberto dos lados cerca de 15 cm acima dos joelhos. No remate da taleguilla, para apertar junto à canela, estão colocados os machos, um em cada perna, idênticos aos que são aplicados na chaquetilla.


• Meias

Usualmente os toureiros usam dois pares de meias – umas de algodão branco e as exteriores de seda cor de rosa com bordado vertical a negro. Na actualidade as meias interiores são substituídas por “collants” até à cintura e as meias exteriores, quase sempre de cor de rosa, são presas por ligas, para evitar que descaiam.


• Sapatilhas

Calçado ligeiro e leve, confeccionado em pelica preta, sem salto, sendo abertas e com um pequeno laço, muito semelhantes às sapatilhas de bailado, o que proporciona muita comodidade aos toureiros que, no desenvolvimento das suas faenas, bem se assemelham a autênticos bailadores.


Para remate deste tão peculiar “traje de luces” teremos de, ainda, considerar o capote de passeio, o qual é confeccionado em seda e embelezado com bordados muito elaborados e vistosos, e que todos os toureiros a pé usam durante as cortesias – paseíllo, em castelhano – muito justo ao tronco e apanhado de maneira muito elegante. Após a saudação à presidência da corrida e ao respeitável público, o capote de passeio é retirado pelo moço de espadas que, em seguida, o confia a pessoa ilustre ou das relações do toureiro que se encontre na barreira.

Os toureiros antigos faziam gala em deixar crescer uma marrafa do cabelo na região da nuca, que era chamada de “coleta”. Segundo alguns historiadores taurinos, os antigos toureiros prendiam o cabelo comprido com um laço de seda, para não serem molestados com a cabeleira durante as lides, e quando começaram a usar o cabelo mais curto deixavam uma pequena “marrafa” para simbolizar essa tradição antiga. Joaquín Rodriguez “Costillares” (1729-1800) é o primeiro matador de toiros em cujas gravuras é perceptível o uso da coleta natural. Juan Belmonte (1892-1962), a par das suas importantes inovações na técnica do toureio, prescindiu também do uso da coleta natural, pelo que, em sua substituição passou a usar um postiço, a que igualmente se chama “añadido”, ou mais taurinamente “castañeta”. Quando um toureiro termina a sua carreira profissional, é tradição “simular” o corte da coleta, momento sempre acompanhado de grande emoção por parte dos seus familiares, amigos e admiradores.

A confecção de “trajes de luces” é função quase exclusiva de “sastres” espanhóis, pois poucos são os alfaiates portugueses que se dedicaram a este tipo de trabalhos. Como se compreenderá, dado o elevado número de toureiros no activo, houve sempre a necessidade de um significativo número de alfaiates para satisfazer a procura de trajes e de trastos de toureio – os capotes e as muletas. Seia tarefa ingrata e, quiçá, impossível, enumerar todos os alfaiates ou as oficinas de “sastreria” que se têm dedicado a esta actividade. Porém, há um nome que é verdadeiramente incontornável e que constitui a maior referência a nível mundial – Justo Algaba.

Este consagrado alfaiate, natural de Albacete, onde mantém a sua oficina, é responsável desde há mais de cinquenta anos pela confecção dos “trajes de luces” das principais figuras do toureio, sendo igualmente responsável pela preservação das regras da confecção dos trajes, embora não abdique de valorizar artisticamente esta indumentária com a diversidade de elementos que aplica em cada um. Como referiu recentemente ao canal televisivo de Castilla la Mancha, a propósito de uma exposição de setenta e cinco trajes dos mais importantes que confeccionou, cada um dos “trajes de luces” tem uma história que, desejavelmente, deve coincidir com a história e com o sentimento do toureiro que a enverga, o que implica uma grande cumplicidade entre os dois artistas – o “sastre” e o “torero”.

Na oportunidade dessa exposição, realizada em Albacete, Justo Algaba referiu que desde o início da sua actividade profissional constata que se operaram ligeiras inovações nos “trajes de luces”, embora, estas sejam consagradas apenas ao nível do detalhe, uma vez que assume o seu respeito pelas regras impostas pela tradição e tenta não as desvirtuar, embora aceite com naturalidade as evoluções patenteadas em alguns “trajes”, como é o caso do célebre “traje de luces” com que Luís Miguel Dominguín (1926-1996) reapareceu nas arenas (Las Palmas, 1971) envergando um traje desenhado pelo consagrado pintor Pablo Picasso, o qual foi replicado em alguns outros trajes, embora não fosse capaz de ofuscar os modelos mais tradicionais.

Deveremos ainda ter em linha de conta o “traje curto” dos toureiros, usado em regra nos festivais de beneficência ou em outras manifestações sociais onde compareçam formalmente os toureiros, nomeadamente em festejos tradicionais e em festas religiosas.

Remontam as origens desta indumentária aos tempos em que os lavradores e os “vaqueros” assim trajavam regularmente no desenvolvimento das suas actividades relacionadas com o maneiro do gado – pelo que também é corrente a designação de “traje campero”. Porém, em bom rigor, e sem contraditar as origens do “traje curto”, subsistem algumas diferenças entre estas duas indumentárias que deverão ser referidas.

O “traje curto” é muito mais elegante, o que facilmente se compreende até pelo facto de se haver tornado um fato próprio de circunstâncias festivas, enquanto o “traje campero” é usado no trabalho de campo, distante dos olhares públicos.

No “traje curto” usa-se uma jaqueta com abas, ou golas, e bolsos laterais, sendo que é aberta em V até metade da sua altura e rematada, depois, com três botões (decorativos) ou, menos frequentemente, alamares, enquanto no “traje campero” a jaqueta – também designada por “guayabera” – é fechada até ao pescoço, rematada com cinco botões, com “casas”, sendo frequente abotoar-se o primeiro botão superior, e não tem gola ou banda, que é substituída por um cós debruado com fita. Também ao nível das calças se registam algumas diferenças, pois apesar de ambas serem de cós subido e curtas, chegando apenas a meio da perna, no “traje curto” nota-se uma abertura entre a altura do joelho e a extremidade das calças, a qual é ajustada com cordão ou alguns botões, no “traje campero” não existe tal abertura, embora muitas vezes se enriqueça a peça com uma pequena dobra de cor diferente das calças que proporciona um efeito vistoso. Ainda ao nível do calçado se nota uma outra diferença, na medida em que no “traje curto” se usa um botim de cano alto e de salto direito, ao passo que no “traje campero” as botas são igualmente altas, mas têm um salto de prateleira onde os “vaqueros” aplicavam as necessárias esporas.

Ambos os “trajes” são constituídos ainda pelas seguintes peças: colete no mesmo tecido das restantes peças – jaqueta e calças – camisa normal, de cor branca em dias festivos, faixa ou cinta para ajustar e proteger a cintura, que actualmente é substituída por um lenço de seda ou de cetim, sucessivamente dobrado até ficar apenas uma tira colorida e elegante, e na cabeça um sombrero de abas largas e direitas e de copa plana, que pode ser substituído por um boné em circunstâncias menos festivas ou em condições atmosféricas adversas.

De notar que o “traje curto” é confeccionado em tecido de algodão, liso ou listado, embora muitos toureiros usem as jaquetas confeccionadas em tecidos aveludados e de cor diferente das calças e do colete, o que os valoriza esteticamente.

Em tempo frio é vulgar o “traje curto” ser complementado com uma jaqueta de agasalho, confeccionada em tecido mais texturado, trespassada com lapelas largas e cotoveleiras de tecido diferente, que é conhecida como “Marsellés”, e que na actualidade os toureiros gostam de apresentar virada do avesso por cima do ombro, como se se tratasse do capote de passeio, enquanto no “traje campero” sobressai, em tempos de frio mais intenso, o “chaquetón de campo”, confeccionado em tecidos mais grosseiros, como o surrobeco, e muito sóbrios, pois não têm qualquer efeito estético de relevo.

Nesta abordagem, forçosamente ligeira e superficial, cumpre ainda referir os trastos utilizados no toureio a pé – o capote e a muleta – que igualmente são confeccionados pelos alfaiates taurinos.

O capote será, porventura, o mais antigo dos instrumentos de tourear, com origem directa na peça de vestuário com o mesmo nome, de que ainda hoje, como atavismo, persiste a “gola” ou “esclavina”. O capote, ou capa, é feito de tecido forte, com diferentes cores de cada lado, normalmente salmão na frente, ou exterior, e amarelo na parte de trás, embora alguns toureiros, por superstição, tenham retomado a antiga tradição de usar tons escuros, como azul ou verde, na parte interior. A sua dimensão medida de ponta a ponta pode variar de acordo com a estatura do toureiro que o usa mas, em regra, tem cerca de 1,5 metros e pesa à volta de cinco quilogramas. É usado pelo toureiro para receber o toiro quando este sai dos curros e, sobretudo, no desenvolvimento do primeiro tércio da lide do matador, que na preparação do toiro para a sorte de varas lanceia o capote em movimentos de belo efeito estético, como é o caso das sublimes “verónicas” ou das arriscadas “chicuelinas”.

Nas festas de cavalaria da Idade Média usava-se o capote da indumentária habitual do nobre como um instrumento para contornar as investidas dos toiros. Posteriormente, nos séculos XVI e XVII, estabeleceu-se que a capa de vestir era a ferramenta comum dos peões que ajudavam os cavaleiros. Já naquela época se usava a expressão de “tirar a capa de alguém”, referindo-se à ajuda prestada a um par em situação de risco.

Com a transposição das lides taurinas informais e privadas para os recintos apropriados, tornando-se um espectáculo público e formal e, mais tarde, devidamente regulamentado, o capote de toureio passou a ser confeccionado expressamente para esta função, embora tivesse conservado a forma do capote de vestir, sendo interessante o facto, já mencionado, de os capotes de toureio manterem uma espécie de gola.

Mais moderna é a muleta, o que decorre do facto de antigamente o toureio a pé se confinar exclusivamente a coadjuvar a acção dos cavaleiros, ora livrando-os de algum aperto, ora tentando colocar o toiro em terreno que mais conviesse aos senhores para lancearem os toiros, daí a designação popular dos bandarilheiros como “subalternos”, o que, de facto, eram.

Quando o toureio a pé começou a emergir em Espanha em consequência da decadência das lides a cavalo – os nobres cavaleiros andavam tão absorvidos em escaramuças que não tinham disponibilidade nem meios para se dedicarem às lides com toiros – e a autonomizar-se como expressão artística, surgiu a necessidade de complementar a intervenção dos toureiros, dando azo ao aparecimento do terceiro tércio – a faena de muleta – como preparação do toiro para a morte – sorte suprema – que culminaria, ritualmente, esta manifestação de arte, de força e de técnica, mas igualmente de fé, carregada de simbologia e espiritualidade ritual.

Segundo José María de Cossío (1892-1977) o nome de muleta poderá provir do alfinete chamado “muleta” nas guarnições. O uso deste trasto de toureio é relativamente moderno, embora, em qualquer caso, anterior ao século XVIII. Antigamente a muleta era chamada de lona e era branca, feita de linho, cânhamo ou algodão, e também era de menor dimensão do que na actualidade. Posteriormente aumentou de dimensão e passou a ser confeccionada com outros materiais, nomeadamente flanela ou lã, e em cores diferentes, predominando o vermelho, embora no tempo de Rafael Molina Sánchez “Lagartijo” (1841-1900) ainda fossem usadas muletas com diferentes cores. Ainda segundo Cossío, no tempo de Francisco Arjona Herrera “Cúchares” (1818- 1868), a muleta era de muito pequena dimensão.

À medida que o seu tamanho aumentou, também os toureiros puderam desenhar passes mais arriscados e, sobretudo, mais artísticos, o que proporcionou a inversão dos valores intrínsecos ao próprio toureio, que deixou de ser apenas “luta” para assumir uma maior expressão de arte, apoiada em melhores recursos técnicos.

Nos nossos dias todas as muletas são vermelhas, e no topo, por dentro, é aplicado um pau de faia – o estaquilhador – que permite ao matador segurar a muleta com maior estabilidade e domínio. Complementarmente o matador usa durante a faena uma “ayuda”, que não é mais do que uma réplica do estoque em alumínio, para que o toureiro possa manusear mais facilmente a muleta com a importante vantagem de ser muito mais leve, o que lhe exige muito menor esforço físico. Quando a faena se aproxima do seu termo – seja porque tenha esgotado o tempo regulamentarmente previsto, ou porque o toiro já não mantenha as condições de toureabilidade para prosseguir a função – o matador recolhe junto do moço de espadas o estoque com que se desincumbirá da sorte suprema, sendo que, se a sua função estiver a ser abrilhantada por acompanhamento musical, a banda suspenderá a sua execução.

De notar que em Portugal, onde os toiros de morte foram proibidos em 1928 e a “sorte de varas” em 2002 – ano em que também se legalizou a morte do toiro em praça, mas apenas em locais que possam provar a existência ininterrupta de tal prática nos 50 anos anteriores – os matadores de toiros possuem os mesmos trastos que utilizam os seus colegas de todos os outros países taurinos, quer para tomarem a alternativa num país em que a morte de toiro culmine a sua lide de forma regulamentar, quer quando atuam noutros países. Porém, actualmente no nosso país a sorte de varas não se realiza e a estocada de morte é substituída por uma simulação com uma bandarilha.