Diferenças entre edições de "Ganadeiro"
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| − | === GANADEROS – CRIADORES DE BRAVURA, PROMOTORES DO AMBIENTE E DA BIODIVERSIDADE | + | {| class="wikitable" |
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| + | <div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto;">'''Joaquim Grave'''</div> | ||
| + | <div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto;">'''<small>Médico Veterinário / Ganadeiro</small>'''</div><br> | ||
'''O campo bravo''' | '''O campo bravo''' | ||
| − | Os ganaderos são os homens que criam o toiro bravo, a matéria prima do espectáculo da corrida de toiros. Os toiros pertencem à Raça Brava, uma raça autóctone e um desconhecido património cultural e ecológico. Esta raça contribui para o desenvolvimento rural através de uma ganadaria sustentável e emprego verde. O toiro bravo é, desta maneira, um exemplo perante o desafio ambiental e as alterações climáticas. As mais de oitenta ganadarias existentes em Portugal ocupam mais de 50 mil hectares no centro e sul do país. Na Europa existem mais de 1000 explorações ''ganaderas'' desta raça, que contam com um efectivo de 222.888 animais inscritos nos vários livros genealógicos. | + | Os ''ganaderos'' são os homens que criam o toiro bravo, a matéria prima do espectáculo da corrida de toiros. Os toiros pertencem à Raça Brava, uma raça autóctone e um desconhecido património cultural e ecológico. Esta raça contribui para o desenvolvimento rural através de uma ganadaria sustentável e emprego verde. O toiro bravo é, desta maneira, um exemplo perante o desafio ambiental e as alterações climáticas. As mais de oitenta ganadarias existentes em Portugal ocupam mais de 50 mil hectares no centro e sul do país. Na Europa existem mais de 1000 explorações ''ganaderas'' desta raça, que contam com um efectivo de 222.888 animais inscritos nos vários livros genealógicos. |
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Toda a ética da corrida repousa sobre uma única ideia, a bravura do toiro. A bravura é o único pretexto da corrida e a sua maior glória. Isto leva-nos a perguntar “quem é o toiro?” “o que é o toiro?” Um filósofo francês, Francis Wolff, define de forma brilhante que o toiro bravo não é nem um animal doméstico, nem um animal selvagem, mas sim um ser essencialmente bravo. Ele põe o valor intrínseco do seu combate acima da sua própria dor. Esta resposta não é de todo redundante, uma vez que a bravura em si mesma é ambígua e a sua ambiguidade revela toda a riqueza da corrida. | Toda a ética da corrida repousa sobre uma única ideia, a bravura do toiro. A bravura é o único pretexto da corrida e a sua maior glória. Isto leva-nos a perguntar “quem é o toiro?” “o que é o toiro?” Um filósofo francês, Francis Wolff, define de forma brilhante que o toiro bravo não é nem um animal doméstico, nem um animal selvagem, mas sim um ser essencialmente bravo. Ele põe o valor intrínseco do seu combate acima da sua própria dor. Esta resposta não é de todo redundante, uma vez que a bravura em si mesma é ambígua e a sua ambiguidade revela toda a riqueza da corrida. | ||
| − | É este património genético, cultural e ecológico que os ganaderos devem cuidar numa selecção rigorosa para que o toiro bravo não desapareça enquanto espécie bovina de características únicas e singulares. | + | É este património genético, cultural e ecológico que os ''ganaderos'' devem cuidar numa selecção rigorosa para que o toiro bravo não desapareça enquanto espécie bovina de características únicas e singulares. |
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| + | [https://tauromaquiapatrimonio.pt/w/images/0/0b/Ganadeiro_FE1.pdf Almeida, Maria Antónia Pires de (2002), “Ganadeiro”, Conceição Andrade Martins, Nuno Gonçalo Monteiro (orgs.), ''A Agricultura: Dicionário das Ocupações'', Nuno Luís Madureira (coord.), ''História do Trabalho e das Ocupações'', vol. III, Oeiras, Celta Editora, pp. 190-194] | ||
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Edição atual desde as 09h35min de 24 de maio de 2021
GANADEROS – CRIADORES DE BRAVURA, PROMOTORES DO AMBIENTE E DA BIODIVERSIDADE Joaquim Grave
Médico Veterinário / Ganadeiro O campo bravo
O facto de viverem em grandes espaços, autênticas reservas ecológicas, os toiros convivem com – e protegem – espécies em vias de extinção como o lince, a águia imperial, a cegonha preta, o abutre preto. De facto, nos montados onde pastam as ganadarias desenvolvem-se programas de conservação de espécies protegidas. Além disso, são pontos de paragem de aves migratórias como por exemplo o grou. A criação do toiro bravo é, assim, uma verdadeira aliada da defesa de uma sempre desejada biodiversidade.
O toiro de lide é talvez o animal mais difícil de seleccionar e converte a profissão de ganadero de reses bravas numa das mais apaixonantes, na qual cada um tenta modelar o toiro que tem em mente, o que quase nunca chega a conseguir. Para ser ganadero consciencioso é indispensável estudar o toiro. E o toiro é uma incógnita que não se desvenda por uma fórmula matemática ou por quantificação de parâmetros medíveis, mas sim à força de conviver com ele, à força de observações meticulosas e persistentes. Um bom ganadero deve ter noções agronómicas e zootécnicas básicas para gerir com acerto uma exploração. Ser ganadero é muito mais do que juntar o toiro bravo com a vaca brava e esperar que nasça um bezerro bravo. Ninguém até hoje desvendou por completo o mistério da bravura. Houve, no entanto, alguns que conseguiram resultados excelentes. O ganadero deve sê-lo, em primeiro lugar por afición. Deve criar toiros antes de mais nada para si próprio. A singularidade do toiro bravo, a envergadura e poder da sua individualidade escapam aos normais processos de apreciação zootécnica e exigem uma nova medida. Mesmo os que não apreciam o espectáculo de uma corrida de toiros e os que são apenas curiosos, deveriam parar um pouco e pensar no sentido de entenderem este autêntico milagre zootécnico. Toda a ética da corrida repousa sobre uma única ideia, a bravura do toiro. A bravura é o único pretexto da corrida e a sua maior glória. Isto leva-nos a perguntar “quem é o toiro?” “o que é o toiro?” Um filósofo francês, Francis Wolff, define de forma brilhante que o toiro bravo não é nem um animal doméstico, nem um animal selvagem, mas sim um ser essencialmente bravo. Ele põe o valor intrínseco do seu combate acima da sua própria dor. Esta resposta não é de todo redundante, uma vez que a bravura em si mesma é ambígua e a sua ambiguidade revela toda a riqueza da corrida. É este património genético, cultural e ecológico que os ganaderos devem cuidar numa selecção rigorosa para que o toiro bravo não desapareça enquanto espécie bovina de características únicas e singulares. |
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