Diferenças entre edições de "Traje de Cavaleiro Tauromáquico"

 
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As manifestações tauromáquicas na sua expressão mais formal, levadas a cabo em recintos específicos – as praças de toiros – ou em espaços adaptados para o efeito, como chegou a acontecer no Terreiro do Paço ou no Rossio, em Lisboa, assumem uma pujança estética e artística de grande relevo, a qual emana da exibição de toureiros e de forcados no confronto directo, franco e leal com o toiro, mas, outrossim, da própria beleza natural deste imprescindível protagonista, tantas vezes referenciado como um milagre zoológico, devido à sua evolução genética. Nesta perspectiva pode considerar-se o toiro de lide como um animal “cultural” – por oposição às categorias de animais domésticos ou de animais selvagens – na medida em que esta espécie bovina resulta das sucessivas e aliciantes intervenções dos ganadeiros, quer nas tentas quer na selecção dos sementais entre os animais que evidenciaram melhor comportamento durante as suas lides.
 
As manifestações tauromáquicas na sua expressão mais formal, levadas a cabo em recintos específicos – as praças de toiros – ou em espaços adaptados para o efeito, como chegou a acontecer no Terreiro do Paço ou no Rossio, em Lisboa, assumem uma pujança estética e artística de grande relevo, a qual emana da exibição de toureiros e de forcados no confronto directo, franco e leal com o toiro, mas, outrossim, da própria beleza natural deste imprescindível protagonista, tantas vezes referenciado como um milagre zoológico, devido à sua evolução genética. Nesta perspectiva pode considerar-se o toiro de lide como um animal “cultural” – por oposição às categorias de animais domésticos ou de animais selvagens – na medida em que esta espécie bovina resulta das sucessivas e aliciantes intervenções dos ganadeiros, quer nas tentas quer na selecção dos sementais entre os animais que evidenciaram melhor comportamento durante as suas lides.
  
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Antigamente o traje à lavrador era confeccionado todo no mesmo tecido, pelo que a jaqueta, o colete e as calças eram iguais, tendencialmente de cores sóbrias, predominando o preto, o castanho ou o azul, sendo que na transposição deste traje para o de cavaleiro tauromáquico já é frequente vermos o uso de jaqueta com cores diferentes das restantes peças do traje e, muitas vezes, até em tecidos distintos, como o veludo.
 
Antigamente o traje à lavrador era confeccionado todo no mesmo tecido, pelo que a jaqueta, o colete e as calças eram iguais, tendencialmente de cores sóbrias, predominando o preto, o castanho ou o azul, sendo que na transposição deste traje para o de cavaleiro tauromáquico já é frequente vermos o uso de jaqueta com cores diferentes das restantes peças do traje e, muitas vezes, até em tecidos distintos, como o veludo.
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O modelo setecentista do cavaleiro de picaria inspirado no luxo da corte de Luís XIV e de Luís XV viria a influenciar o traje do cavaleiro tauromáquico que desde o reinado de D. João V se mantém com poucas alterações, até aos dias de hoje. Note-se que a institucionalização da prática do toureio equestre remonta ao século XVIII sendo uma atividade desempenhada pela nobreza que, pela ocasião, se inspirava na moda francesa de então.
 
 
 
O cavaleiro tauromáquico apresenta-se em público trajado a rigor sendo, sem dúvida, o conjunto de casaca e tricórnio na cabeça que lhe confere o brilhantismo. A indumentária é constituída ainda por colete, camisa, calção de malha cingido à perna, meia branca e bota de cano alto com salto de prateleira.
 
 
 
A casaca é, de facto, a peça mais apelativa na indumentária pelo facto de se revelar extremamente rica. É comprida, mais ou menos pela altura do joelho e fendida atrás para colocação em sela.  Pode ser em seda ou em veludo, sendo admitidas em várias cores, das mais garridas às mais discretas, conforme o gosto daquele(a) que a enverga: branco, preto, azul, vermelho, verde, castanho, rosa, prateados, dourados, etc. O cavaleiro usa-a sempre aberta, pelo que os botões, geralmente em filigrana de ouro ou prata, com o monograma do cavaleiro, não têm utilidade. A camisa é branca, sem gola, de colarinho fechado dispondo de botões dourados. Caiu em desuso o uso do plastron. O colete, de cetim ou seda na fronte, fecha-se ocultando totalmente a camisa e apenas deixando a descoberto o colarinho. Pode ser simples ou bordado, combinado ou não com a casaca. O calção é branco, ou bege, sendo atualmente em malha elástica de modo a ficar cingido à perna do cavaleiro. Usa-se com meia alta de cor branca, a qual sobressai da bota, cobrindo totalmente a zona do joelho. Por fim, o cavaleiro usa bota alta de calfe preto com salto de prateleira, onde encaixam esporas de roseta, presas com correias e fivelas quadradas.
 
 
 
  
  

Edição atual desde as 12h11min de 24 de maio de 2021


TRAJES DE TOUREIRO (PARTE I)

Ludgero Mendes
Antropólogo

LM 1.JPG

As manifestações tauromáquicas na sua expressão mais formal, levadas a cabo em recintos específicos – as praças de toiros – ou em espaços adaptados para o efeito, como chegou a acontecer no Terreiro do Paço ou no Rossio, em Lisboa, assumem uma pujança estética e artística de grande relevo, a qual emana da exibição de toureiros e de forcados no confronto directo, franco e leal com o toiro, mas, outrossim, da própria beleza natural deste imprescindível protagonista, tantas vezes referenciado como um milagre zoológico, devido à sua evolução genética. Nesta perspectiva pode considerar-se o toiro de lide como um animal “cultural” – por oposição às categorias de animais domésticos ou de animais selvagens – na medida em que esta espécie bovina resulta das sucessivas e aliciantes intervenções dos ganadeiros, quer nas tentas quer na selecção dos sementais entre os animais que evidenciaram melhor comportamento durante as suas lides.

A realização de um espectáculo tauromáquico consagra-se como um tempo e uma circunstância festiva, na qual coincidem diferentes, mas complementares, aspectos. O Toiro, entendido misticamente como um símbolo do poder e da fertilidade, é apresentado perante os “deuses” numa derradeira oportunidade em que pode comprovar esses superiores atributos. O Homem pode demonstrar neste desafio como a convicção nas suas potencialidades físicas e técnicas, a par da sua fé, da sua arte e da sua inteligência, pode superar os argumentos naturais do seu poderoso oponente.

Por isso, este é um tempo de festa! Festa em cuja espiritualidade radicam os mais sublimes sentimentos e as mais férteis inquietações em torno da vida e da morte, fastos principais na trajectória de uma Pessoa e de um Animal. O Homem e o Toiro – uma dialéctica que vai muito para além do ritual de uma simples luta pela sobrevivência!

Em tempo de festa, era hábito antigo que se envergassem as mais solenes indumentárias, o que está perfeitamente inculcado tanto nas tradições populares, como nas tradições aristocráticas. O nosso Povo, no tanto que a tradicionalidade nos permite conhecer, usava nas mais solenes circunstâncias da sua sóbria vivência o trajo de domingar, que frequentemente também era designado como traje de Ver a Deus, pelo facto de ser usado nas mais relevantes cerimónias da vida familiar ou na vivência da sua comunidade. A aristocracia trajava usualmente vestuário rico e de ostentação, o que lhe permitia alardear um nível social e financeiro acima do comum. Naturalmente, em circunstâncias festivas ou de representação social, o luxo e a vaidade assumiam a proeminência na escolha do vestuário.

A reputada historiadora e museóloga Madalena Braz Teixeira, que durante cerca de vinte e cinco anos dirigiu o Museu Nacional do Traje, considera que “A indumentária define-se no seio do tecido social, tendo o seu lugar na encenação e no espectáculo de rigorosa regulamentação. As festas populares, no período barroco, que correspondem ao Estado Absolutista, integram-se na organização geral e estão submetidas à ideia de consagração do poder. Intervêm nos locais e nos modos permitidos, de forma a contribuir para a pompa superiormente gizada.”

Ao contrário do que ocorria entre as camadas populares, onde a moda se perpetuava ao longo de gerações – quer pela falta de acesso ao conhecimento dos novos padrões sociais, quer pela escassez de meios para renovar a indumentária – entre a nobreza e, mais tarde, também entre a burguesia, a moda era mais efémera, mais transitória, pois a convivência com famílias de grande poderio económico e político assim o impunha. Todavia, o traje de algumas épocas alcançou foro de classicismo e perdurou no tempo e na moda, pelo que alguns trajes se tornaram intemporais, cruzando gerações e até, em alguns casos, séculos.

Descrever, com o detalhe possível, a indumentária que os toureiros usam actualmente nas touradas impõe que tenhamos presentes estes pressupostos sociais, na justa medida em que quer os cavaleiros tauromáquicos, quer, sobretudo, os matadores de toiros alcançaram através da sua notoriedade artística uma notável ascensão social, o que tornava imperativa a sua apresentação de acordo com as regras de sociedade mais exigentes.


Cavaleiro Tauromáquico – Trajo “à Frederica”


Convirá termos em consideração que os cavaleiros tauromáquicos eram, em regra, aristocratas, oriundos de famílias detentoras de fortuna, o que lhes permitia ostentar, ou presumir, um estatuto social equiparável aos membros da corte. Ao tempo, as suas actuações públicas tinham como principal objectivo a afirmação de prestígio, de coragem, de destreza e, claro, de poderio económico, sendo que as suas actuações ocorriam quase sempre em circunstâncias especiais na vida social da região ou do país, como eram as festas sociais de famílias ilustres, ou as recepções a personalidades de grande relevância social, económica ou política.

Há dois ou três séculos atrás não havia visita oficial ao nosso país de um rei ou de um membro de uma família real estrangeira, ou quaisquer cerimónias de bodas de casamento de membros da nobreza, que não incluíssem uma tourada e outros jogos de cavalaria, com os quais se obsequiavam os convidados, ao mesmo tempo que se fazia gala da coragem e da riqueza dos intervenientes, do que a reconstituição das corridas de gala à antiga portuguesa constitui nos nossos dias uma pálida ideia, incorporando um vasto número de criadagem e de subordinados – Pajens dos Cavaleiros, os Charameleiros, o Timbaleiro, os Porta-Estandartes e os Alabardeiros.

Tomando de empréstimo as doutas referências do conceituado historiador Oliveira Marques , poderemos confirmar como “De tempos a tempos os reis aproveitavam um acontecimento de relevo, para oferecer aos povos espectáculos deslumbrantes de fausto e de composição variada. Era também um meio de ostentar riqueza e de impressionar os visitantes estrangeiros. (…) Chegavam a durar mais de uma semana e incluíam, além dos habituais touros, canas, momos, jogos, danças e banquetes, desfiles militares, “cortejos históricos”, exibições de folclore e até autos de natureza teatral”.

A indumentária do cavaleiro tauromáquico assenta, assim, na representação dessas figuras da aristocracia portuguesa, embora não deixe de espelhar também fortes influências da indumentária da fidalguia dos países ocidentais com os quais o nosso país mantinha estreitos laços de cooperação e de entendimento, entre os quais França – excepção feita ao período em que este país, sob o comando militar de Napoleão Bonaparte, invadiu Portugal entre os anos de 1807 e 1812. Não obstante, a casaca do cavaleiro tauromáquico – bastas vezes denominada “à Frederica”, por alusão a Frederico da Prússia – é inspirada na moda dos reinados de Luís XIV e Luís XV, de França, período caracterizado por um elevado pendor estético e de grande ostentação nos finais do século XVII e no dealbar do século XVIII.

Com o transcorrer dos tempos, as modas foram evoluindo e, pese embora o pendor tradicional destas manifestações que tem assegurado uma linha evolutiva coerente com o simbolismo associado ao estatuto e à função do cavaleiro tauromáquico, poderemos encontrar muitas persistências do traje antigo na indumentária usada actualmente pelos cavaleiros tauromáquicos, possíveis de testemunhar em gravuras coevas ou, mais recentemente, em fotografias.

Segundo alguma investigação histórica que tivemos em linha de consideração, o traje do cavaleiro tauromáquico usado a partir do reinado de D. João V, manteve-se até aos nossos dias com poucas alterações, embora devam referir-se algumas adaptações, mais simbólicas, umas, mais funcionais, outras.

Esta indumentária é composta por um chapéu de três pontas (tricórnio), sobre o qual foi aplicado um símbolo do brasão da família; uma casaca de seda ou de veludo bordada a fios de ouro ou de prata, na maioria das vezes com motivos florais ou geométricos, e tendo nos punhos uma aplicação de folhos rendados, a substituir os punhos da camisa; um colete de seda ou de cetim, igualmente bordado a fios de ouro e com aplicações rendadas; uma alva camisa com colarinho apertado por abotoaduras ou por alfinete de ouro; um calção de malha justo à perna; meias até à altura do joelho; e botas de cano alto, onde se aplicam as inevitáveis esporas.

Nos primórdios da adaptação desta indumentária, os cavaleiros usariam cabeleiras empoadas e luvas brancas, o que veio a cair em desuso, ao que parece, por intervenção directa do distinto cavaleiro João Branco Núncio que, igualmente, introduziu outras alterações mais significativas ao nível da arte de tourear.

Quando começaram a actuar publicamente alguns cavaleiros não aristocratas foi-lhes impedido que se apresentassem tal como o faziam então os fidalgos, pelo que a sua indumentária, embora semelhante à dos cavaleiros nobres, tinha algumas diferenças – usavam um chapéu bicórneo, enfeitado com penachos, sobrecasaca e colete branco, mais sobriamente bordados, camisa branca rendada, calção justo de malha, meias até aos joelhos, fazendo dobra sobre as botas de cano alto e de salto de prateleira que, segundo consta, terão sido introduzidas pelo cavaleiro profissional José Maria Casimiro Monteiro em substituição da inicial polaina de pelica branca.

O prestígio entretanto alcançado pelos cavaleiros profissionais, que poderá ter coincidido com uma certa decadência económica da aristocracia portuguesa, permitiu que, em 1870, o cavaleiro José António Lima passasse a apresentar-se com o trajo igual ao dos fidalgos, incluindo o uso do tricórnio, o que, doravante, passou a instituir-se como o traje convencional de todos os cavaleiros tauromáquicos.

Entretanto, a casaca do cavaleiro tauromáquico ostenta na parte traseira da gola um laço preto que, segundo a tradição, será um sinal de luto pelo Marquês de Marialva, figura insigne associada à arte equestre, embora haja quem defenda que esta aplicação do laço negro teria em vista substituir o laço que prendia as cabeleiras usadas primitivamente pelos cavaleiros nobres, e que caíram em desuso, sobretudo, a partir da altura em que o chapéu de três pontas passou a figurar na indumentária “marialva”.

Manuel Marques, do Biscainho, no concelho de Coruche, foi um dos últimos alfaiates especializados na confecção desta indumentária, tendo aprendido a sua arte na década de 40 do século passado com dois grandes mestres de alfaiataria sediados em Lisboa – Alberto Armindo e Rosado e Pires. Manuel Marques dedicou-se por inteiro a esta profissão após a cessação de actividade de Alberto Armindo, e dada a circunstância de residir próximo da Herdade da Torrinha, propriedade da Família Ribeiro Telles – uma das mais distintas dinastias de cavaleiros tauromáquicos – começou a ser solicitado para fazer os fatos destes ilustres marialvas. Apercebendo-se de que esta poderia ser uma boa opção em termos profissionais, passou a dedicar-se quase em exclusivo a este tipo de trabalhos, sendo coadjuvado na arte da costura e igualmente nos bordados por sua esposa.

Este categorizado alfaiate referiu em interessante entrevista concedida a Paula Mourato e a Gonçalo Borges Dias, publicada no jornal “Notícias de Sábado”, que “Nem sempre as casacas de uma corrida à portuguesa tiveram a actual configuração. Na primeira geração, os cavaleiros toureavam com uma casaca solta, um traje tipo Luís XV, que desde então sofreu modificações. Actualmente, tem dois machos atrás, é uma obra de silhueta com bordados imaginados pelo alfaiate Rosado e Pires, que igualmente concebeu desenhos que se enquadravam na personalidade portuguesa mais tradicional”.

Ainda segundo Manuel Marques, “os bordados espanhóis não possuem uma sequência tão completa”. O colete – que também é bordado – possui geralmente o mesmo desenho da casaca, contudo, a modernidade trouxe mais liberdade à expressão artística e já nada é tão formal.


Cavaleiro Tauromáquico – Trajo à Portuguesa


Ao nível da indumentária dos cavaleiros tauromáquicos há a considerar o trajo de uso mais corrente, adequado a circunstâncias menos festivas ou solenes, e que se assemelha ao tipo de indumentária que era utilizada pelos lavradores ribatejanos no seu quotidiano. Em termos tauromáquicos, este tipo de indumentária era usado em festivais de beneficência, sendo que a partir da regulamentação do espectáculo tauromáquico – período de evolução das manifestações tauromáquicas que, assim, se autonomizaram das festas sociais privadas da aristocracia e passaram a realizar-se, com carácter público, com fins lucrativos e destinados a públicos mais heterogéneos – os amadores tinham de se apresentar trajados desta maneira, estando-lhes vedado o uso de casaca e de tricórnio.

Nos nossos dias ainda se mantém esta regra, pelo que os cavaleiros tauromáquicos apenas podem envergar a casaca e o tricórnio a partir da prestação de provas para cavaleiro praticante.

Segundo Carlos Cardoso , no blogue Trajes de Portugal, “o traje masculino de equitação português é o resultado de uma evolução natural da forma de vestir, sofrendo influências externas, muito à semelhança dos nossos dias. No entanto, essa evolução foi lenta, já que não haviam os modernos meios de informação e as novidades levavam tempo a chegar às populações, mesmo as mais cosmopolitas ou abastadas.

Muito embora existam noutras regiões trajes semelhantes, parece ser no Ribatejo que radica a origem do que hoje denominamos por Traje Português de Equitação. A forte tradição equestre desta região permite dizer que o traje de equitação português deriva directamente do traje do lavrador ribatejano.”

A principal característica deste traje é a jaqueta. Trata-se de um casaco curto aflorando a linha da cintura e terminando um pouco abaixo desta. É frequentemente mais curta nas costas do que na frente. Na cintura o corte das costas é a direito, distinguindo-se da jaqueta espanhola por este pormenor, já que nesta o corte é arqueado. A jaqueta pode apresentar gola de dois bicos, de rebuço, de tira, de jaquetão ou, até mesmo sem gola. É normalmente adornada com botões ou alamares. Os alamares podem ser de prata ou de seda e os botões são normalmente de material sintético, mas também podem ser de vidro, de osso, de chifre, de madeira, de metal, de prata ou, não raramente, forrados com tecido igual ao da jaqueta. A jaqueta possui ainda dois bolsos na vertical e as mangas são adornadas com botões na diagonal.

Para se proteger dos rigores do Inverno o cavaleiro poderia usar um capote, uma samarra ou uma jaqueta de abafo. Esta difere da anterior por ser confeccionada em tecido grosso e quente e a gola ser quase sempre forrada de veludo ou enriquecida com pele de borrego ou de raposa.

O colete é caracterizado por um decote em V, que permite mostrar a camisa rendada, tem cavas largas e dois ou quatro bolsos, formando um acentuado bico na frente, o qual ultrapassa a linha da jaqueta. O colete pode também ter uma banda e ser abotoado com uma ou duas linhas de botões.

A camisa é branca e comprida, de tecido fino e alindada com a aplicação de rendas ou folhos no seu peitilho, podendo opcionalmente ser adornada apenas por nervuras ou pregas feitas do mesmo tecido. O colarinho é pequeno, não ultrapassando a altura do cós da gola e pode terminar em redondo ou a direito, sendo fixado ao cós por molas. Fecha-se o colarinho com botões simples ou abotoaduras duplas de madrepérola, ouro ou prata. As mangas são largas e folgadas, terminando em punho simples ou duplo e são fechadas com abotoaduras ou botões de punho.

As calças, de cós subido e cintado ajustando nas costas com atilho ou presilha, são justas até ao joelho, seguindo com a mesma largura até aos tornozelos, de modo a permitir o uso de botas altas de salto de prateleira, onde se aplicam as esporas de montar.

À cintura o cavaleiro coloca uma cinta de merino, de seda ou de cetim, que aperta até ao diafragma, proporcionando uma postura mais correcta e elegante quando está montado.

Esta indumentária é rematada por um chapéu de aba larga, à portuguesa, caracterizado pela sua aba larga com virola e copa redonda convexa. A fita que cerca a copa fecha em laço, sem botões, podendo ser, usualmente, preto, cinzento ou castanho.

Antigamente o traje à lavrador era confeccionado todo no mesmo tecido, pelo que a jaqueta, o colete e as calças eram iguais, tendencialmente de cores sóbrias, predominando o preto, o castanho ou o azul, sendo que na transposição deste traje para o de cavaleiro tauromáquico já é frequente vermos o uso de jaqueta com cores diferentes das restantes peças do traje e, muitas vezes, até em tecidos distintos, como o veludo.



REGISTOS BIBLIOGRÁFICOS


  • Gonçalves, Ana Rita (2017), "A Arte Equestre Portuguesa – Património Cultural", Lisboa: Coisas de Ler Edições.