Diferenças entre edições de "Touradas à Vara Larga"

 
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Em muitas outras localidades do Ribatejo e do Alentejo os festejos resumem-se à parte correspondente à largada, que nalguns locais, como no distrito de Portalegre, se designa “tourada à vara larga”. Em recintos vedados com tranqueiras e outros meios, são soltos, um a um, toiros embolados ou vacas que acometem contra as pessoas que arriscam pisar o interior do recinto, para logo escapar a resguardar-se perante a aproximação no animal. Apenas os jovens mais preparados ensaiam recortes e esboçam passes de toureio, perante o aplauso da multidão dos que assistem, habitantes das localidades em que a festa se realiza e muitos visitantes.<br>
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<div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto;">'''TOURADA À VARA LARGA'''</div><br>
  
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<div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto;">'''Marco Gomes'''</div>
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<div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto;"><small>'''Professor / Diretor de Corrida'''</small></div><br>
  
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Em pleno Alentejo, com a chegada do verão, as festas populares de carater religioso adquirem o seu esplendor.
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O rebentar do foguete ao romper da manhã, na chamada alvorada, é o mote para o início dos festejos em cada lugarejo, aldeia, vila ou cidade alentejana. O foguete continua a ser importante, pois ele é o meio de comunicação da organização das festas com o povo, ele ecoa no céu azul alentejano marcando o início da procissão e da tourada à vara larga, que por deformação sintática tem evoluído em alguns locais como garraiada, ainda que de forma errada porque não se lidam garraios, mas sim cinco vacas e um toiro, ou seis vacas.
  
'''Bibliografia'''
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Ao fim do dia, ou pela noite, no redondel de alvenaria, de grades de ferro, de reboques de trator, ou como ainda se usa, embora raro, com carroças e varolas, o povo acode para ver os rapazes mais foitos da terra mostrarem a sua destreza perante a ferocidade das reses, umas vezes cedidas gentilmente por algum ganadeiro local, outras vezes alugadas a um criador de gado bravo.
  
*Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LMEC - CRIA (Ed.), ''Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias'', Lisboa.
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As raparigas usam as suas roupas novas compradas para a festa local, e é ali no redondel que muitas vezes se iniciam namoricos, alguns dos quais chegam ao casamento. O conclave aprecia as faenas dos jovens moços na passagem pela cara da vaca, fazendo recortes, até a vaca investir, e depois, a mando de um dos elementos da organização, toca a trompete para agarrar a vaca. Esta tarefa de agarrar a vaca ou pegá-la constitui um esboço do que é um grupo de forcados. Geralmente oito indivíduos do sexo masculino perfilam-se de frente para a vaca, sendo o primeiro elemento designado o forcado da cara, depois o primeiro ajuda, depois dois elementos coexistindo lateralmente são os segundas ajudas, o quinto elemento o rabejador e os restantes as terceiras ajudas. Esta formação “formal” esvai-se se a corpulência da vaca for grande, ou se tratar de um toiro ou novilho, caso em que vão muitos mais rapazes, chegando a ser dez ou doze, mesmo que alguns após a investida da rés comecem a fugir até mais não poderem.
  
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Quando se trata de reses de menor porte é muito frequente ver jovens adolescentes a imitarem o que os mais velhos fazem, quer em passagens na cara da rês, que no consumar das pegas, mesmo que o façam em sexto, sétimo ou oitavo lugar.
  
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Muitas vezes, quando a rês está imobilizada, alguns homens pegam nos seus filhos de tenra idade e ao colo, ou pela mão, levam-nos a tocar na pele do animal, seguindo um ritual cretense propiciador de virilidade e saúde, qualidades a que é associado o touro bravo.
  
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Consumada a pega o rapaz da cara escuta as palmas e recebe algumas flores do público, agradecendo o mesmo no centro da arena. Quando as vacas são de maior porte, ou quando se trata de toiros, as pessoas colocam nas canas dos foguetes uma nota como forma de incentivo aos rapazes pegarem/agarrarem a vaca, ou o toiro. Quando o fazem, no final recolhem o dinheiro, e com esse mesmo dinheiro pagam cervejas, outras vezes o jantar para os colegas que os ajudaram a concretizar a pega.
  
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Nestas festas também há animação musical, heterogénea na forma como se faz. Tem a sua remota ligação às bandas filarmónicas, que depois perderam um pouco o seu lugar para os gira-discos e cassetes/ acordeonistas, e ainda depois para uma vertente mais moderna e atual com os organistas e em alguns locais os “cavalinhos” (grupos compostos por sete a dez elementos que se juntam para formar uma pequena banda musical).
  
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Terminada a saída a arena das reses, consumadas as conquistas das raparigas, a festa segue com comezanas e bebida, a que se segue a animação musical a cargo de um cantor, grupo musical ou organista.
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| === EM AGOSTO, CAPEIAS A GOSTO ===
 
  
==== Norberto Manso ====
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As touradas à vara larga geralmente decorrem em todos os dias da festa. Na sexta-feira realiza-se pela noite, sábado e domingo pelo fim de tarde.
  
===== Adjunto do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal do Sabugal =====
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Fustigado pela intensa emigração dos anos 60, o concelho do Sabugal privou-se de muitos dos seus mais intrépidos homens e mulheres que, na busca do ''Eldorado'', partiram para ''franças e araganças''. Mas foi, sobretudo, na zona do concelho mais fronteiriça com Espanha, que a sangria mais se sentiu.
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<div style="background:Gainsboro;text-align: center; padding: 8px 0 0 0"><span style='white-space:nowrap'></span></div>
  
Partiram, e por lá desbravaram, entre atalhos e veredas, caminhos até portos de esperança por aqui perdida. E no mês de Agosto regressam. Regressam com uma mão cheia de sucesso e outra mão cheia das memórias, dos laços, dos afectos e dos vínculos que dão sentido à vida e à vinda.
 
  
Por entre o enovelado das memórias, a FESTA destaca-se pela envolvência da comunidade, espaço de construção do sentido de pertença e de identificação com o colectivo. E por isso se regressa, se vem à terra, à terra onde estão as raízes, as origens e um espaço de memória colectivo.
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Em muitas outras localidades do Ribatejo e do Alentejo os festejos resumem-se à parte correspondente à largada, que nalguns locais, como no distrito de Portalegre, se designa “tourada à vara larga”. Em recintos vedados com tranqueiras e outros meios, são soltos, um a um, toiros embolados ou vacas que acometem contra as pessoas que arriscam pisar o interior do recinto, para logo escapar a resguardar-se perante a aproximação no animal. Apenas os jovens mais preparados ensaiam recortes e esboçam passes de toureio, perante o aplauso da multidão dos que assistem, habitantes das localidades em que a festa se realiza e muitos visitantes.<br>
 
 
A festa de cada uma das localidades é o ponto de encontro, a marca de um calendário religioso/profano, ou ambos, que convoca todos a estar.
 
 
 
De entre as muitas e diversificadas festividades do concelho, a Capeia destaca-se pela sua singularidade e originalidade – utilização do forcão na lide do touro bravo –, e pelo facto de ser uma manifestação comum a muitas localidades. A Capeia é, assim, a expressão de cultura popular aglutinadora de uma identidade territorial mais abrangente que o espaço da comunidade do ''sítio''.
 
 
 
Conforme já aludi noutras ocasiões, «A Capeia é identitária e dá aos membros da comunidade um forte sentido de pertença, criando fortes laços e vínculos à comunidade. A valorização desse património tende a preservar as referências ‘à terra’ – às raízes – e dessa forma estimular, nos que tendo laços com as comunidades, mas nelas não residem, o regresso, pelo menos por ocasião da Capeia. As expressões de cultura tradicional com as quais as pessoas ‘simpatizam’ e se identificam serão tanto mais motivo de vinda / regresso quanto maior for a ‘simpatia’ e a identificação com essas mesmas expressões. E, para uns é a Capeia, para outros é outra coisa qualquer, igualmente importante.
 
  
A Capeia é, assim, aglutinadora no regresso, motivação reforçada pela grande probabilidade de reencontros, o que é gratificante por ser tão forte a memória dos afectos e dos laços que perduram. A Capeia é, desta forma, um pretexto de confraternização, de convívio, de partilha, de desejo de estar junto de outros que diferentes percursos de vida separaram.
 
  
O êxodo, a emigração, a ''desruralização'', não implicam que os que se afastaram se desliguem das suas origens. A busca das raízes, a ''centripetía'' das tradições, das festas, motiva ao retorno enquanto o universo das memórias for povoado pelas reminiscências dos “bons velhos tempos”. Retorno que acaba por se constituir em espaço de reconstrução de memória (o que recordamos do que aconteceu não é o ''que aconteceu'', mas a reconstrução, no presente, do que vivenciámos ou experimentámos), onde se lubrificam as lembranças dos afectos e dos vínculos com novos afectos, novas partilhas, novas experiências.»
 
  
Todos os anos, no mês de Agosto, o ritual repete-se em Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Fóios, Forcalhos, Lageosa, Nave, Ozendo, Quadrazais, Rebolosa, Soito e Vale de Espinho.
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<div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto; border-bottom:8px ridge DarkGray;">'''REGISTOS GRÁFICOS'''</div><br>
  
Dada a inquestionável importância desta tradição, decidiu-se em 2009 avançar com o processo de inventariação de que resultou, em Novembro de 2011, o registo no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/Inventario/InventarioPCIListar.aspx?TipoPesq=2&NumPag=1&RegPag=50&Modo=1&Criterio=capeia&Inpci=True ); o primeiro realizado em Portugal. E foi a Câmara Municipal que avançou com a inventariação, não porque ela seja dona ou se queira apoderar da capeia, mas porque foi a melhor forma de a valorizar, promover e preservar, evitando bairrismos entre as diferentes aldeias; e porque é a Câmara quem melhor pode representar e aglutinar uma expressão cultural de diversidades locais em diferentes geografias, dando-lhe uma dimensão de “Terras do Forcão”.
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<div class="center" style="width: auto; margin-left: auto; margin-right: auto;"><u>'''Programas/Cartazes 2019'''</u></div><br>
  
A capeia é das comunidades e o seu futuro depende das comunidades. Foram elas que ao longo dos anos a promoveram, a valorizaram, a preservaram e a interpretaram à luz do desenvolvimento que, sobretudo depois dos anos 60, tão significativamente mudou o concelho.
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<gallery mode="nolines" class="center;" style="text-align:center; border:5px outset dimgray; background-color:#d3d3d3">
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FestasMosteiros Arronches 2019.jpg|<small><small>Festas N. S.ª da Graça (Mosteiros/Arronches)</small></small>
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FestasNSEsperança Arronches 2019.jpg|<small><small>Festas N. S.ª da Esperança (Arronches)</small></small>
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FestasVeraoBombeirosV_Arronches_2019.jpg|<small><small>Festas de Verão dos Bombeiros Voluntários de Arronches</small></small>
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FestaSantaMargarida PovoaMeadas CastelodeVide 2019.jpg|<small><small>Festa de Santa Margarida (Póvoa e Meadas/Castelo de Vide)</small></small>
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FestasVerao PovoaMeadas CastelodeVide 2019.jpg|<small><small>Festas de Verão de Póvoa e Meadas (Castelo de Vide)</small></small>
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TouradaSardinhada PovoaMeadas CastelodeVide 2019.jpg|<small><small>Tourada da Sardinhada (Póvoa e Meadas/Castelo de Vide)</small></small>
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FestasAldeia SantaEulalia Elvas 2019.jpg|<small><small>Festas da Padroeira Santa Eulália (Elvas)</small></small>
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FeiradeAldeia SantaEulalia Elvas 2019.jpg|<small><small>Feira d´Aldeia (Santa Eulália/Elvas)</small></small>
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RomariaPassarAguas SantaEulalia Elvas 2019.jpg|<small><small>Romaria Passar Águas (Santa Eulália/Elvas)</small></small>
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FestasBarbacena Elvas 2019(1).jpg|<small><small>Festa N. S.ª do Paço (Barbacena/Elvas)</small></small>
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FestasSVicente Elvas 2019.jpg|<small><small>Festas N. S.ª do Rosário (S. Vicente/Elvas)</small></small>
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FestasSVicente Largadas Elvas 2019.jpg|<small><small>Festa Brava - Festas N. S.ª do Rosário (S. Vicente/Elvas)</small></small>
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FestasNSOliveRosario ValeMaceira Fronteira 2019.jpg|<small><small>Festas em Honra de N. S.ª da Oliveira e N. S.ª do Rosário (Vale de Maceira/Fronteira)</small></small>
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FestaNSConceiçao Alvarroes Marvao 2019.jpg|<small><small>Festa de N. S.ª da Conceição (Alvarrões/Marvão)</small></small>
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FestaSAntonio Escusa Marvao 2019.jpg|<small><small>Festa de Santo António (Escusa/Marvão)</small></small>
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FestasPáscoa SantoAleixo Monforte 2019.jpg|<small><small>Festas da Páscoa (Santo Aleixo/Monforte)</small></small>
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FestasSantoAleixo Monforte 2019.jpg|<small><small>Festas de Verão em Honra de Santo Aleixo (Santo Aleixo/Monforte)</small></small>
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FestasSMilagres Assumar Monforte.jpg 2019.jpg|<small><small>Festas de N. S.ª dos Milagres (Assumar/Monforte)</small></small>
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FestasNSParto Monforte 2019.jpg|<small><small>Festas de N. S.ª do Parto (Monforte)</small></small>
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FestasNSRemedios Montalvao Nisa 2019.jpg|<small><small>Festas de N. S.ª dos Remédios (Montalvão/Nisa)</small></small>
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FestasVeraoAlpalhão Nisa 2019.jpg|<small><small>Festas de Verão de Alpalhão (Nisa)</small></small>
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TVL Alpalhão Nisa 2019.png|<small><small>Tourada à Vara Larga na Praça de Touros de Alpalhão (Nisa)</small></small>
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TVL Alpalhao Nisa 2019.jpg|<small><small>Tourada à Vara Larga na Praça de Touros de Alpalhão (Nisa)</small></small>
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TVL Tolosa Nisa 2019.jpg|<small><small>Tourada à Vara Larga em Praça de Touros (Tolosa/Nisa)</small></small>
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FestasRemediosSGregorioM Reguengo Portalegre2019.jpg|<small><small>Festas em Honra de N. S.ª dos Remédios e S. Gregório Magno (Reguengo/Portalegre)</small></small>
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FestasNSAlegria Alegrete Portalegre 2019.jpg|<small><small>Festas de N. S.ª da Alegria (Alegrete/Portalegre)</small></small>
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FestasNSFatima ValeCavalos Portalegre 2019.jpg|<small><small>Festas de N. S.ª de Fátima (Vale de Cavalos/Portalegre)</small></small>
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FestasNSLapa BesteirosdeCima Portalegre 2019.jpg|<small><small>Festas de N. S.ª da Lapa (Besteiros de Cima/Portalegre)</small></small>
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Com a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI) a Capeia galgou as fronteiras do seu espaço de prática para se afirmar no mapa patrimonial do país. Ganhou a visibilidade e a dignidade que o Inventário lhe confere, mas, sobretudo, promoveu a participação das comunidades, grupos e indivíduos na defesa e valorização do seu património cultural imaterial, objectivo da inventariação.
 
  
O reconhecimento que o registo no INPCI conferiu à Capeia promoveu o envolvimento das comunidades na defesa e valorização do seu património cultural imaterial, garantindo, assim, a preservação dos laços e dos vínculos que criam um forte sentido identitário e de pertença à comunidade, tão necessários num mundo cada vez mais urbano, anónimo e anódino.
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'''BIBLIOGRAFIA CITADA'''
  
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*Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LNEC - CRIA (Ed.), ''Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias'', Lisboa.

Edição atual desde as 15h50min de 24 de maio de 2021


TOURADA À VARA LARGA

Marco Gomes
Professor / Diretor de Corrida

Em pleno Alentejo, com a chegada do verão, as festas populares de carater religioso adquirem o seu esplendor.

MG 3.jpg

O rebentar do foguete ao romper da manhã, na chamada alvorada, é o mote para o início dos festejos em cada lugarejo, aldeia, vila ou cidade alentejana. O foguete continua a ser importante, pois ele é o meio de comunicação da organização das festas com o povo, ele ecoa no céu azul alentejano marcando o início da procissão e da tourada à vara larga, que por deformação sintática tem evoluído em alguns locais como garraiada, ainda que de forma errada porque não se lidam garraios, mas sim cinco vacas e um toiro, ou seis vacas.

Ao fim do dia, ou pela noite, no redondel de alvenaria, de grades de ferro, de reboques de trator, ou como ainda se usa, embora raro, com carroças e varolas, o povo acode para ver os rapazes mais foitos da terra mostrarem a sua destreza perante a ferocidade das reses, umas vezes cedidas gentilmente por algum ganadeiro local, outras vezes alugadas a um criador de gado bravo.

As raparigas usam as suas roupas novas compradas para a festa local, e é ali no redondel que muitas vezes se iniciam namoricos, alguns dos quais chegam ao casamento. O conclave aprecia as faenas dos jovens moços na passagem pela cara da vaca, fazendo recortes, até a vaca investir, e depois, a mando de um dos elementos da organização, toca a trompete para agarrar a vaca. Esta tarefa de agarrar a vaca ou pegá-la constitui um esboço do que é um grupo de forcados. Geralmente oito indivíduos do sexo masculino perfilam-se de frente para a vaca, sendo o primeiro elemento designado o forcado da cara, depois o primeiro ajuda, depois dois elementos coexistindo lateralmente são os segundas ajudas, o quinto elemento o rabejador e os restantes as terceiras ajudas. Esta formação “formal” esvai-se se a corpulência da vaca for grande, ou se tratar de um toiro ou novilho, caso em que vão muitos mais rapazes, chegando a ser dez ou doze, mesmo que alguns após a investida da rés comecem a fugir até mais não poderem.

Quando se trata de reses de menor porte é muito frequente ver jovens adolescentes a imitarem o que os mais velhos fazem, quer em passagens na cara da rês, que no consumar das pegas, mesmo que o façam em sexto, sétimo ou oitavo lugar.

Muitas vezes, quando a rês está imobilizada, alguns homens pegam nos seus filhos de tenra idade e ao colo, ou pela mão, levam-nos a tocar na pele do animal, seguindo um ritual cretense propiciador de virilidade e saúde, qualidades a que é associado o touro bravo.

Consumada a pega o rapaz da cara escuta as palmas e recebe algumas flores do público, agradecendo o mesmo no centro da arena. Quando as vacas são de maior porte, ou quando se trata de toiros, as pessoas colocam nas canas dos foguetes uma nota como forma de incentivo aos rapazes pegarem/agarrarem a vaca, ou o toiro. Quando o fazem, no final recolhem o dinheiro, e com esse mesmo dinheiro pagam cervejas, outras vezes o jantar para os colegas que os ajudaram a concretizar a pega.

Nestas festas também há animação musical, heterogénea na forma como se faz. Tem a sua remota ligação às bandas filarmónicas, que depois perderam um pouco o seu lugar para os gira-discos e cassetes/ acordeonistas, e ainda depois para uma vertente mais moderna e atual com os organistas e em alguns locais os “cavalinhos” (grupos compostos por sete a dez elementos que se juntam para formar uma pequena banda musical).

Terminada a saída a arena das reses, consumadas as conquistas das raparigas, a festa segue com comezanas e bebida, a que se segue a animação musical a cargo de um cantor, grupo musical ou organista.

As touradas à vara larga geralmente decorrem em todos os dias da festa. Na sexta-feira realiza-se pela noite, sábado e domingo pelo fim de tarde.




Em muitas outras localidades do Ribatejo e do Alentejo os festejos resumem-se à parte correspondente à largada, que nalguns locais, como no distrito de Portalegre, se designa “tourada à vara larga”. Em recintos vedados com tranqueiras e outros meios, são soltos, um a um, toiros embolados ou vacas que acometem contra as pessoas que arriscam pisar o interior do recinto, para logo escapar a resguardar-se perante a aproximação no animal. Apenas os jovens mais preparados ensaiam recortes e esboçam passes de toureio, perante o aplauso da multidão dos que assistem, habitantes das localidades em que a festa se realiza e muitos visitantes.


REGISTOS GRÁFICOS


Programas/Cartazes 2019



BIBLIOGRAFIA CITADA

  • Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LNEC - CRIA (Ed.), Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias, Lisboa.