Touradas à Vara Larga

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Em muitas outras localidades do Ribatejo e do Alentejo os festejos resumem-se à parte correspondente à largada, que nalguns locais, como no distrito de Portalegre, se designa “tourada à vara larga”. Em recintos vedados com tranqueiras e outros meios, são soltos, um a um, toiros embolados ou vacas que acometem contra as pessoas que arriscam pisar o interior do recinto, para logo escapar a resguardar-se perante a aproximação no animal. Apenas os jovens mais preparados ensaiam recortes e esboçam passes de toureio, perante o aplauso da multidão dos que assistem, habitantes das localidades em que a festa se realiza e muitos visitantes.

A “picaria à vara larga” tem ainda uma outra forma, hoje pouco praticada, na zona de Vale de Estrela, aquela por onde passava a maioria dos exércitos invasores do país que entravam pela zona dos concelhos de Almeida (onde ainda hoje se correm vacas no dia do “alardo” em Nave-de-Haver) e do Sabugal. Nestas picarias, os toiros são lançados no largo das aldeias – hoje quase desertas e envelhecidas – escondendo-se os “picadores” atrás de esconderijos de onde saem em muito pequenas incursões para os picar com longas varas, regressando rapidamente ao esconderijo, como se tivessem estado emboscados para depois alancear um cavaleiro invasor. À medida que o toiro vai sendo “derrotado”, desistindo da luta, crescem os cites e encurtam-se terrenos, pois ver correr o toiro e a fuga perante a investida é hoje, sem cavaleiros invasores no horizonte, uma festa intensa e divertida.


Bibliografia

  • Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LMEC - CRIA (Ed.), Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias, Lisboa.