Tertúlia “Festa Brava” (Azambuja)

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A Tertúlia “Festa Brava” foi fundada a 9 de agosto de 1946, em Lisboa. Na sua origem estiveram alguns sócios do Grupo Tauromáquico Sector 1, incluindo o seu Presidente, que decidiram abandoná-lo descontentes com o seu funcionamento interno. Por ocasião da festa de aniversário de José Mayer decidiram, por sugestão do crítico tauromáquico Fernando Baptista, fundar uma tertúlia chamada “Festa Brava” (também por sugestão do mesmo).

O grupo fundador da Tertúlia foi composto por cerca de 31 aficionados: Alexandro Saes “Alé”, Álvaro Figueiredo de Almeida, Aníbal Camacho, António Casanova, António Madeira, Armando Barreto, Cardoso d’Oliveira, Carlos d’Ornellas, Carlos Mega, Fausto Calado Alves, Fernando Baptista, Fernando Guelberto, Henrique Barreto, J Oliveira Jardim, João António Barbosa, João Maria da Silva, José Augusto Madeira, José Francisco Botto, José Mayer, Júlio Cunha, Júlio Saraiva, M Baptista Gouveia, Manuel Baptista, Manuel Casqueiro Haderer, Mariano de Carvalho Costa, Mário Machado, Ruy Vinagre, Tomás dos Santos, Velilio Reis, Victor Lemos e Victor Pestana.

A primeira sede desta Tertúlia foi instalada na Rua do Salitre, n.º 82C, em Lisboa, sendo após transferida para a Praça da Alegria, n.º 38, onde permaneceu até ao final do ano de 2009.

Os princípios e objetivos que norteiam a ação da Tertúlia “Festa Brava” são hoje aqueles que sempre foram e que estão plasmados nos seus estatutos, com especial enfoque nos seguintes:

• Empregar todos os esforços para manter ao mais alto nível a tauromaquia, defendendo os seus princípios e pugnando pela sua dignificação;

• Animar todas as iniciativas de interesse tauromáquico e nomeadamente, proteger os artistas, que pelas suas aptidões e valor o mereçam;

• Apoiar e realizar propaganda tauromáquica, sempre com o objetivo da sua maior expansão;

• Efetuar conferências e palestras sobre temas tauromáquicos, nomeadamente de interesse nacional;

• Organizar exposições de arte e literatura tendentes a divulgar os valores da tauromaquia;

• Instituir prémios e/ou diplomas para os artistas e ganadeiros que maiores êxitos obtenham em cada temporada;

• Colaborar com as suas congéneres, nacionais e estrangeiras, mantendo com elas as maiores relações de amizade;

• Colaborar com o Município em ações de interesse para o Concelho, a pedido deste ou por iniciativa própria.

Desde a sua fundação que a Tertúlia se tornou um local de encontro de preservação e divulgação das tradições taurinas portugueses. Nos seus almoços de convívio semanais (ao sábado) eram frequentes palestras sobre os diversos temas taurinos; o visionamento de filmes e/ou vídeos de corridas de toiros com explicação dos intervenientes, como um toureiro, um empresário, um ganadeiro ou um crítico. Adicionalmente, foram organizados vários passeios ao campo, com o objetivo de proporcionar aos tertulianos a realidade do campo, como o maneio do gado, os treinos nos tentadeiros, os encerros e/ou as derribas.

Associados à Festa Brava está o fado, sendo esta Tertúlia frequentada por inúmeros fadistas – Amália Rodrigues ali cantou com apenas 20 anos ou João Braga que se apresentou ao público pela primeira vez –, assim como guitarristas. Entre 1946 e 1979, a Tertúlia abrigou a escola de toureiro de Luciano Moreira – criada em 1903 por aquele bandarilheiro –, em 1959 passou a ser dirigida pelo bandarilheiro Alberto Bartissol (neto de Luciano Moreira) e passou a denominar-se escola da Tertúlia “Festa Brava” até à sua extinção em 1979.

Durante cerca de 20 anos, entre meados da década de 1960 e meados da década de 1980, a Tertúlia “Festa Brava” manteve a publicação de um boletim informativo mensal, que terminou com a morte nos seus entusiásticos – Manuel Casqueiro Haderer, diretor, e Arnaldo Calabaça, editor – entre outras razões.

Em dezembro de 2009, a deflagração de um incêndio na cobertura do prédio que acolhia a sede em Lisboa, destruiu o edifício e consequentemente uma infinidade de memórias e grande parte do espólio acumulado ao longo de décadas de existência.

Ao longo de cerca de cinco anos, tentou-se algum apoio e colaboração da Câmara Municipal de Lisboa, para encontrar uma nova sede, contudo o mesmo não foi possível.

A necessidade de procurar alternativas levou a Tertúlia a direcionar essa procura para os concelhos aficionados da área metropolitana de Lisboa, o que resultou no contacto com a Câmara Municipal da Azambuja, que foi bem-sucedido. Procedeu-se então à assinatura do protocolo entre a Câmara e a Tertúlia, na qual a Câmara cedia o edifício e a Tertúlia suportava os custos das obras necessárias.

Enquanto duraram as obras, a Tertúlia não interrompeu as suas atividades – em 2014, exposição do espólio resgatado do incêndio na Centenária Feira de Maio de Azambuja; em novembro do mesmo ano retoma a atribuição anual de prémios aos triunfadores da temporada; entre outros.

É um dos membros fundadores da TTP – Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal, fundada em 2016, na qual assegura a presidência do conselho fiscal dessa Associação.

A 14 de setembro de 2018 aconteceu a inauguração da nova sede da Tertúlia “Festa Brava” com a presença dos mais altos representantes camarários, inúmeros sócios, familiares e amigos, para além de diversos intervenientes da Festa Brava.

Desde então a Tertúlia já organizou inúmeros eventos, com uma periodicidade quase mensal e com uma vontade de defender mais que nunca a tauromaquia nacional e o património cultural imaterial que lhe está associado.


Redes sociais: https://www.facebook.com/tertulia.festabrava/

Localização: Travessa do Matadouro, nº 5 | 2050-351 Azambuja


[Inauguração da nova sede da Tertúlia "Festa Brava" - 14.06.2018]