Área de Implantação das Ganadarias

Revisão em 16h18min de 8 de abril de 2020 por Prodrigues (Discussão | contribs)

A área total das explorações de gado bravo em território nacional é desconhecida. No entanto, considerando a área total das explorações agrícolas onde estão integradas ganadarias, ou seja contabilizando também a área destina a outros fins agrícolas e outras fontes de rendimento, segundo um inquérito realizado por Farto (2018) que contou com a resposta de 66 ganadarias, as explorações agrícolas ocupam em média uma área de 550/600 hectares. Aproximadamente metade das explorações está abaixo do valor médio e a outra metade acima. Por outro lado, o valor modal é superior aos 1000 hectares.

Fonte: adaptado de Farto (2018)


A área média ocupada para a atividade específica de criação de gado bravo é de 300-350 hectares, sendo que pouco mais de metade das ganadarias têm uma área inferior ao valor médio, e 85% não ultrapassa os 600 hectares. Estes dados permitem antecipar que a atividade de criação de gado bovino bravo é realizada paralelamente a outras atividades agrícolas, podendo estar, por hipótese, integrada numa estratégia de diversificação de negócios.


Fonte: adaptado de Farto (2018)


Apesar de o questionário aplicado por Farto (2018) não ter sido respondido por todas as ganadarias, a amostra de 66 explorações representa dois terços do universo. Assim, a partir destes dados, as áreas médias das ganadarias por diferentes regiões foram estimadas, assumindo que existe uma margem de erro. Para tentar minimizar os enviesamentos serão calculadas as áreas médias para várias tipologias de regiões, o que permite cruzar resultados e despistar desvios.
A análise por região de NUTS II e III apenas permite retirar resultados médios praticamente para a região do Alentejo. É bastante provável que no Alentejo as ganadarias tenham uma área superior ao valor médio. O Alentejo Central tem a maior área média (388 hectares), seguindo se o Baixo Alentejo (371 hectares) e o Alto Alentejo (364 hectares), ou sejas as diferenças são pouco expressivas entre estas regiões. Na região da Lezíria do Tejo a média é inferior a 300 hectares. Nota que apesar do valor da AML ser o maior, ao baixo número de casos disponíveis pode associar-se um desvio considerável do valor médio, pelo que a sua leitura é reservada. O mesmo se aplica às regiões do Alentejo Litoral, Oeste, Região de Coimbra e Açores. No entanto, as estimativas de áreas superiores nas regiões do Alentejo e da AML, que coincidem em grande medida com as antigas províncias do Alentejo e do Ribatejo, está de acordo com um dos factores que determina a que as ganadarias tenham implantação preferencial nesses territórios, como já referido anteriormente.


Quadro – Área média das ganadarias segundo a região NUTS III

NUTS II NUTS III n (ganadarias) Área média
Alentejo Alentejo Central 20 388
Alentejo Litoral(1) 2 200
Alto Alentejo 9 364
Baixo Alentejo 12 371
Lezíria do Tejo 17 282
AML AML(1) 3(2) 417
Centro Oeste(1) 1( 2) 450
Região de Coimbra(1) 1 250
R. A. Açores R. A. Açores(1) 2 250
Total 66 344