Área de Implantação das Ganadarias
A área total das explorações de gado bravo em território nacional é desconhecida. No entanto, considerando a área total das explorações agrícolas onde estão integradas ganadarias, ou seja contabilizando também a área destina a outros fins agrícolas e outras fontes de rendimento, segundo um inquérito realizado por Farto (2018) que contou com a resposta de 66 ganadarias, as explorações agrícolas ocupam em média uma área de 550/600 hectares. Aproximadamente metade das explorações está abaixo do valor médio e a outra metade acima. Por outro lado, o valor modal é superior aos 1000 hectares.
A área média ocupada para a atividade específica de criação de gado bravo é de 300-350 hectares, sendo que pouco mais de metade das ganadarias têm uma área inferior ao valor médio, e 85% não ultrapassa os 600 hectares. Estes dados permitem antecipar que a atividade de criação de gado bovino bravo é realizada paralelamente a outras atividades agrícolas, podendo estar, por hipótese, integrada numa estratégia de diversificação de negócios.
Apesar de o questionário aplicado por Farto (2018) não ter sido respondido por todas as ganadarias, a amostra de 66 explorações representa dois terços do universo. Assim, a partir destes dados, as áreas médias das ganadarias por diferentes regiões foram estimadas, assumindo que existe uma margem de erro. Para tentar minimizar os enviesamentos serão calculadas as áreas médias para várias tipologias de regiões, o que permite cruzar resultados e despistar desvios.
A análise por região de NUTS II e III apenas permite retirar resultados médios praticamente para a região do Alentejo. É bastante provável que no Alentejo as ganadarias tenham uma área superior ao valor médio. O Alentejo Central tem a maior área média (388 hectares), seguindo se o Baixo Alentejo (371 hectares) e o Alto Alentejo (364 hectares), ou sejas as diferenças são pouco expressivas entre estas regiões. Na região da Lezíria do Tejo a média é inferior a 300 hectares. Nota que apesar do valor da AML ser o maior, ao baixo número de casos disponíveis pode associar-se um desvio considerável do valor médio, pelo que a sua leitura é reservada. O mesmo se aplica às regiões do Alentejo Litoral, Oeste, Região de Coimbra e Açores. No entanto, as estimativas de áreas superiores nas regiões do Alentejo e da AML, que coincidem em grande medida com as antigas províncias do Alentejo e do Ribatejo, está de acordo com um dos factores que determina a que as ganadarias tenham implantação preferencial nesses territórios, como já referido anteriormente.
Quadro – Área média das ganadarias segundo a região NUTS III
| NUTS II | NUTS III | n (ganadarias) | Área média |
|---|---|---|---|
| Alentejo | Alentejo Central | 20 | 388 |
| Alentejo Litoral1 | 2 | 200 | |
| Alto Alentejo | 9 | 364 | |
| Baixo Alentejo | 12 | 371 | |
| Lezíria do Tejo | 17 | 282 | |
| AML | AML1 | 32 | 417 |
| Centro | Oeste1 | 12 | 450 |
| Região de Coimbra1 | 1 | 250 | |
| R. A. Açores | R. A. Açores1 | 2 | 250 |
| Total | 66 | 344 |
Fonte: cálculos próprios a partir de dados de Farto (2018).
Notas:
1) Dado o baixo número de casos para as regiões do Alentejo Litoral, AML, Região de Coimbra, R. A. dos Açores, e Oeste a média calculada pode apresentar desvios consideráveis, não sendo aconselhável a sua interpretação.
2) A ganadaria Canas Vigouroux contabilizou em ambas a AML e a região Oeste.
De facto, as cálculos da área média das ganadarias portuguesas agrupando as de acordo com as antigas províncias reforça as conclusões precedentes. O Alto Alentejo continua a apresentar a maior área média, o Baixo Alentejo está perto do valor médio total, e o Ribatejo tem uma média semelhante à da Lezíria. De momento a leitura dos resultados para a zona da Estremadura reserva os mesmos cuidados que a leitura para a zona da AML.
Quadro – Área média das ganadarias segundo as antigas províncias
| Antigas províncias | n (ganadarias) | Área média (ha) |
|---|---|---|
| Alto Alentejo | 29 | 380 |
| Baixo Alentejo | 14 | 343 |
| Beira Litoral1 | 1 | 250 |
| Estremadura1 | 22 | 500 |
| Ribatejo | 19 | 289 |
| Açores1 | 2 | 250 |
| TOTAL | 66 | 344 |
Fonte: calculos próprios a partir de dados de Farto (2018).
Notas:
1) Dado o baixo número de casos para as regiões da Beira Litoral, Estremadura, e R. A. dos Açores, a média calculada pode apresentar desvios consideráveis.
2) A ganadaria Canas Vigouroux contabilizou em ambas a Estremadura e o Ribatejo.
Por outro lado, realizando o mesmo exercício, mas agrupando as ganadarias por distrito, obtêm se novos esclarecimentos. Por exemplo, na AML já é possível separar as zonas a sul e a norte do rio Tejo, e a ganadaria Canas Vigouroux que pertencia a duas NUTS distintas está agora num único distrito, Lisboa.
Em média, as maiores ganadarias situam se no distrito de Évora e de Portalegre. O distrito de Santarém mantém a média semelhante à região da Lezíria e à província do Ribatejo. Na região de Setúbal já é possível estimar uma média com menor erro (300 ha) pois contabilizam se quatro ganadarias neste distrito. Deste modo poder-se-à concluir que não é apenas nas zonas do Ribatejo e do Alentejo mas também na zona da antiga Estremadura e atual AML, seja a norte e a sul do rio, que se dispõe de maiores áreas para a criação do toiro bravo.
Quadro – Área média das ganadarias segundo os distritos
| Distrito | n (ganadarias) | Área média (ha) |
|---|---|---|
| Beja | 12 | 371 |
| Coimbra1 | 1 | 250 |
| Évora | 20 | 388 |
| Lisboa1 | 1 | 450 |
| Portalegre | 9 | 364 |
| Santarém | 17 | 282 |
| Setúbal | 4 | 300 |
| R. A. Açores1 | 2 | 250 |
| Total | 66 | 344 |
Fonte: cálculos próprios a partir de dados de Farto (2018).
Notas:
1) Dado o baixo número de casos para os distritos de Coimbra, da R. A. dos Açores, e de Lisboa, os valores não podem ser interpretados como representativos ou próximos da média.
Cruzando os dados médios anteriores entre as várias regiões, e extrapolando vários cenários que incluem os extremos de menor e maior área para o conjunto total das 103 ganadarias registadas na APCTL, é possível obter um valor de área total estimado situado entre os 29 e os 39 mil hectares em território nacional, com um valor provável de aproximadamente 34 mil.
Área estimada por município
É possível apresentar uma estimativa da área total das ganadarias por município. O primeiro método recorre à área média estimada por concelho, caso se disponha de uma amostra com um número de casos consideráveis e próximo do número total de ganadarias. O segundo método extrapola a área média no município pelo recurso ao valor médio mais verosímil associado à interseção das regiões e/ou província em que o concelho está inserido.
As maiores ganadarias distribuem se por várias regiões NUTS III (Alto Alentejo, Alentejo Central , Baixo Alentejo, Área Metropolitana de Lisboa, Lezíria do Tejo), o que se intersecta por vários distritos (Évora, Portalegre, Beja e Setúbal). Estes resultados estão de acordo com os resultados precedentes da área média de cada ganadaria por regiões e territórios.
É nos concelhos de Cuba e Mourão que a área média de implantação de cada ganadaria é superior, mais de 600 hectares. Palmela, Évora, e Coruche têm uma média entre os 500 e 600 hectares. E nos casos de Monforte, Serpa, Barrancos, e Alenquer/Vila Franca de Xira a média situa-se entre os 400 e 500 hecatres.
Os três concelhos com mais ganadarias, Benavente, Angra do Heroísmo, e Montemor o-Novo têm uma área de implantação média inferior ao valor médio nacional.
Notas:
1) Apenas foram estimados os valores para municípios com pelo menos duas ganadarias, excepto se conhecido o valor da única ganadaria. Assim, dado que os concelhos de Alandroal, Avis, Campo Maior, Cartaxo, Crato, Estremoz, Grândola, Mafra, Odemira, Velas, apenas têm uma ganadaria cada, e não existem quaisquer registos, optou-se por não realizar qualquer estimativa;
2) Optou-se por não estimar os valores para Angra do Heroísmo e Montemor-o-Velho uma vez que das oito ganadarias açorianas apena existem dados de duas, e das quatro ganadarias de Coimbra apenas existem dados duma.
3) Alenquer e Vila Franca de Xira aparecem combinados pois reporta-se a uma ganadaria que tem explorações nos dois concelhos adjacentes.
A partir destes dados é possível apresentar uma estimativa da área total ocupada para a criação de toiros de lide em cada município.
As maiores áreas são transversais a várias regiões e distritos. Os concelhos de Évora e Benavente terão, por estimativa, as maiores áreas ocupadas para esta atividade, cerca de 3 mil hectares. O caso de Benavente é explicado pelo elevado número de ganadarias no concelho (13). O caso de Évora é explicado pela presença de ganadarias de maior dimensão mas em menor número. Outros três concelhos (Monforte, Mourão, e Coruche), poderão alcançar ou ultrapassar os 2 mil hectares. Os outros concelhos acima dos mil hectares são, por estimativa, Montemor-o-Novo, Serpa, Chamusca, e Palmela. Também Arraiolos e Barrancos poderão aproximar se dos mil hectares.
Em suma os concelhos com maiores áreas alocadas à atividade de exploração de gado bravo, em valor absoluto, situam-se na região NUT II do Alentejo. Na região da AML, apesar de esta ter ganadarias de área média considerável e superior à média nacional, o menor número destas explorações neste território coloca os seus municípios com áreas totais, estimadas, inferiores quando comparadas às regiões do Alentejo.
Notas:
1) Apenas foram estimados os valores para municípios com pelo menos duas ganadarias, excepto se conhecido o valor da única ganadaria. Assim, dado que os concelhos de Alandroal, Avis, Campo Maior, Cartaxo, Crato, Estremoz, Grândola, Mafra, Odemira, Velas e Vila Franca de Xira apenas têm uma ganadaria cada, e não existem quaisquer registos, optou-se por não realizar qualquer estimativa;
2) o valor para Angra do Heroísmo também deverá ser interpretado com bastante precaução.

