Traje de Cavaleiro Tauromáquico

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O modelo setecentista do cavaleiro de picaria inspirado no luxo da corte de Luís XIV e de Luís XV viria a influenciar o traje do cavaleiro tauromáquico que desde o reinado de D. João V se mantém com poucas alterações, até aos dias de hoje. Note-se que a institucionalização da prática do toureio equestre remonta ao século XVIII sendo uma atividade desempenhada pela nobreza que, pela ocasião, se inspirava na moda francesa de então.

O cavaleiro tauromáquico apresenta-se em público trajado a rigor sendo, sem dúvida, o conjunto de casaca e tricórnio na cabeça que lhe confere o brilhantismo. A indumentária é constituída ainda por colete, camisa, calção de malha cingido à perna, meia branca e bota de cano alto com salto de prateleira.

A casaca é, de facto, a peça mais apelativa na indumentária pelo facto de se revelar extremamente rica. É comprida, mais ou menos pela altura do joelho e fendida atrás para colocação em sela. Pode ser em seda ou em veludo, sendo admitidas em várias cores, das mais garridas às mais discretas, conforme o gosto daquele(a) que a enverga: branco, preto, azul, vermelho, verde, castanho, rosa, prateados, dourados, etc. O cavaleiro usa-a sempre aberta, pelo que os botões, geralmente em filigrana de ouro ou prata, com o monograma do cavaleiro, não têm utilidade. A camisa é branca, sem gola, de colarinho fechado dispondo de botões dourados. Caiu em desuso o uso do plastron. O colete, de cetim ou seda na fronte, fecha-se ocultando totalmente a camisa e apenas deixando a descoberto o colarinho. Pode ser simples ou bordado, combinado ou não com a casaca. O calção é branco, ou bege, sendo atualmente em malha elástica de modo a ficar cingido à perna do cavaleiro. Usa-se com meia alta de cor branca, a qual sobressai da bota, cobrindo totalmente a zona do joelho. Por fim, o cavaleiro usa bota alta de calfe preto com salto de prateleira, onde encaixam esporas de roseta, presas com correias e fivelas quadradas.


REGISTOS BIBLIOGRÁFICOS


  • Gonçalves, Ana Rita (2017), "A Arte Equestre Portuguesa – Património Cultural", Lisboa: Coisas de Ler Edições.