Fundação Histórica das Ganadarias Portuguesas
Breve introdução às ganadarias portuguesas
Uma ganadaria é por definição o local de criação e exploração de gado bravo, também denominado por toiro de lide. Etimologicamente a palavra deriva do castelhano ganadería que significa rebanho, negócio de gado.
Desde o século XIX que a criação de gado bravo é uma atividade económica dinâmica e abrangente territorialmente que está associada a demonstrações de carácter socio-cultural. Desde meados do século XIX até aos dias de hoje que se tem assistido com frequência à criação de novas ganadarias e ao seu trespasse. De facto, não é consensual a data de fundação da primeira ganadaria portuguesa (Neves, 1992), mas rondará os meados do século XIX. De acordo com a APCTL (2019) a ganadaria mais antiga de Portugal, Vaz Monteiro , data da década 40 desse século, e será atualmente a única ganadaria com vacas e sementais de casta portuguesa. A ganadaria mais recente, Foro do Almeida, data de 2018 e foi criada no concelho de Salvaterra de Magos.
No presente, o número total de ganadarias em Portugal, ou seja de explorações de gado especificamente para fins tauromáquicos, não é conhecido, uma vez que apenas os espetáculos regulados e realizados em praça exigem ganadarias certificadas. Por outro lado, os espetáculos enquadrados nas denominadas Tauromaquias Populares não exigem qualquer certificação. O ponto 1 do Artigo 30.º do Regulamento do Espetáculo Tauromáquico determina que,
“Só é permitida a lide de reses puras, provenientes de ganadarias certificadas pela autoridade competente em matéria de sanidade animal, e que se encontrem inscritas no Livro Genealógico Português dos Bovinos da Raça Brava de Lide.”
Por este motivo, apenas é possível obter dados sobre as ganadarias inscritas na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL). Todos os dados reportam-se ao ano de 2019.
Evolução histórica da fundação das ganadarias
Em 2019 estavam inscritas 103 ganadarias na APCTL. Dado que o ano da fundação de uma ganadaria pode ser alterado caso esta mude de divisa, e/ou de proprietário, ou que apenas seja considerado o ano de inscrição na APCTL, o exercício de listar o ano exacto da fundação da exploração nem sempre é verosímil. No entanto é possível estimar que pelo menos nove ganadarias, ou as suas antecedentes históricas, remontam ao século XIX e aproximadamente sete dezenas de ganadarias foram criadas ao século XX. No século precedente a dinâmica na exploração de gado bravo foi sempre crescente, pois o número de novas ganadarias em cada quartil foi de seis, dez, 21, e 31 respetivamente. Apesar de ainda não ter terminado o primeiro quartil do novo milénio, a dinâmica aparenta manter se. Dezasseis novas ganadarias foram criadas neste período do século XXI, o que representa cerca de 16% das atuais explorações de gado bravo. Outras 11, cerca de 10,7% que tinham sido fundadas no(s) século(s) precedente(s), mudaram de divisa/ferro e/ou proprietário, pelo que registaram nova antiguidade. Estes dados implicam que aproximadamente um quatro (26%) das ganadarias registadas na APCTL no ano de 2019 resultam de investimentos recentes. Em particular, a mudança de proprietário e/ou divisa e ferro é uma dinâmica que se destaca comparativamente ao período antecedente.
Bibliografia
- APCTL (2019), “Livro das ganadarias portuguesas registadas na APCTL, 2019”, Porto Alto, APCTL.
- APCTL (2006), Ganadarias Portuguesas. Legislação Taurina. A.P.C.T.L.”, Porto Alto, APCTL, pp 48; 123-143.
- Neves, F. (1992) O Touro de Lide em Portugal. Edições Inapa pp 16-87.
